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Myanmar

Myanmar: Vitória esmagadora do partido da opositora Aung San Suu Kyi

REUTERS/Jorge Silva
Texto por: Carina Branco
10 min

A Liga Nacional para a Democracia, liderada pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, conquistou a maioria no Parlamento, em Myanmar. O maior partido da oposição da antiga Birmânia ultrapassou a barreira que lhe permite eleger o Presidente e formar governo, mas devido à Constituição Aung San Suu Kyi não pode aspirar ao cargo de chefe de Estado.

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A Liga Nacional para a Democracia, o maior partido da oposição de Myanmar, conquistou a maioria no parlamento. Quando estavam contados 84,6% dos votos, o partido liderado por Aung San Suu Kyi contava com 348 deputados (238 na câmara baixa e 110 na câmara alta). Já o Partido para a União, Solidariedade e Desenvolvimento, no poder, conquistou 40 assentos dos 491 no Parlamento.

Com esta maioria parlamentar, a Prémio Nobel da Paz pode propor dois dos três candidatos a Presidente, com o terceiro a ser proposto pelos militares. Porém, Aung San Suu Kyi, de 70 anos, não pode candidatar-se à presidência birmanesa devido a um artigo da Constituição que exclui pessoas casadas com estrangeiros ou com filhos estrangeiros (Suu Kyi é viúva de um britânico e tem filhos de nacionalidade britânica).

Aung San Suu Kyi foi Prémio Nobel da Paz em 1991 e esteve sob detenção durante mais de 15 anos. Myanmar realizou no domingo as primeiras eleições livres em mais de 25 anos.


A análise de Constantino Xavier, Investigador no Instituto de Relações Internacionais de Lisboa

Constantino Xavier, Investigador no Instituto de Relações Internacionais de Lisboa, destaca "um resultado absolutamente histórico" da Liga Nacional para a Democracia porque “é a primeira vez que o Myanmar vai ter um governo civil em 50 anos, desde o golpe de Estado de 1962”, o que “marca uma transição de uma das últimas ditaduras militares na Ásia”.

Por outro lado, o especialista da Ásia, explica que Aung San Suu Kyi deverá nomear alguém do seu partido para a Presidência já que ela própria está impedida de o fazer por causa da Constituição.

Constantino Xavier fala ainda de um “sinal de que os militares estão confortáveis com a possibilidade de passarem para segundo plano formalmente”, ainda que mantendo “três ministérios cruciais: o da Defesa, o do Interior e da Segurança Fronteiriça” e “uma das três vice-presidências reservadas para os militares”. Por outro lado, “com a quota de 25 por cento dos deputados no Parlamento, vão tentar bloquear qualquer tentativa de mudança de Constituição”.

Na sua opinião, Aung San Suu Kyi deverá “trabalhar com esta Constituição mais algum tempo, testar a cooperação dos militares e porventura daqui a uns anos tentar aprovar uma nova Constituição”. No entanto, Constantino Xavier considera que se ela tentar já uma nova Constituição, “é bem mais provável ter os militares em pé defensivo e aí poderá abrir-se uma crise política e é uma instabilidade no país”.

Por outro lado, o investigador fala sobre "os três principais desafios de Aung San Suu Kyi", nomeadamente a integração dos militares no regime multipartidário, a questão étnica e as minorias, sobretudo os muçulmanos rohingya, e a posição geoestratégica que vai adoptar.

Constantino Xavier, Investigador no Instituto de Relações Internacionais de Lisboa

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