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França

Tensão social a 24 horas do arranque do Euro em França

O lixo acumulava-se hoje em algumas das grandes artérias de Paris.
O lixo acumulava-se hoje em algumas das grandes artérias de Paris. REUTERS/Charles Platiau
Texto por: Liliana Henriques
3 min

O campeonato Europeu de futebol está prestes a começar, com o jogo inaugural França-Roménia, num ambiente social de crise aguda aqui em França com uma série de greves em vários sectores e a perspectiva de manifestações a nível nacional na próxima terça-feira, para protestar contra a reforma do código do trabalho passada em força no parlamento no passado mês de Maio.  

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Apesar do anúncio pelo governo de algumas ajudas à SNCF, os caminhos-de-ferro, o tráfego continuou hoje bastante perturbado em praticamente todas as linhas locais e interurbanas, com a única excepção dos TGV com 80% desses comboios a circular. A recolha e tratamento do lixo em Marselha mas também e sobretudo aqui em Paris estão muito perturbados, o lixo começa a acumular-se em alguns bairros parisienses, o movimento devendo continuar para algumas das entidades que recolhem o lixo na capital até pelo menos ao dia 14 de Junho, dia da manifestação nacional contra a reforma do código do trabalho.

O mesmo acontece igualmente com os pilotos da Air France que depositaram um pré-aviso de greve do 11 ao 14 de Junho com reivindicações de cariz interno. Os pilotos estão preocupados com a perenidade da sua empresa que tem conhecido dificuldades financeiras nos últimos anos. Antevêem-se cancelamentos de voos para os próximos dias, a direcção da companhia aérea prevendo prejuízos da ordem dos 5 milhões de Euros por cada dia de greve.

Noutro aspecto de referir também que três das cinco refinarias petrolíferas da Total estão bloqueadas, o que perturba nomeadamente o fornecimento de aeroportos e hoje houve manifestações nomeadamente no Havre, no norte, mas também aqui em Paris. Perante esta situação, o governo fala de "desordem" e "confusão", elementos de linguagem que não escondem o mal-estar de um executivo que receia a imagem que isso pode dar da França, com previsões da visita de 2 milhões de supórteres estrangeiros numa competição desportiva que tem -já por si- de enfrentar a ameaça terrorista.

O executivo assume uma posição voluntarista dizendo "não ocultar o risco" mas também "não recear". Um dispositivo específico de segurança deve ser implementado, o primeiro grande teste decorrendo esta noite num megaconcerto gratuito organizado para esta ocasião junto da Torre Eiffel, 80 mil pessoas sendo esperadas nesta festa num país em plena ebulição.
 

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