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Turquia

Presidente Erdogan "o povo turco quer a pena de morte"

Presidente turco Recep Tayyip Erdogan
Presidente turco Recep Tayyip Erdogan YASIN BULBUL / AFP
14 min

Prossegue a purga na sequência do golpe de Estado militar falhado de 15 de Julho que causou pelo menos 270 mortos, o Presidente Recep Tayyip Erdogan afirma que "o povo quer o restabelecimento da pena de morte".

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13 mil pessoas foram presas desde o golpe de Estado militar falhado de 15 de Julho, sobretudo nos sectores das forças de segurança, magistrados, académicos e jornalistas, ao todo mais de 55 mil turcos foram demitidos, suspensos ou detidos desde 15 de Julho no país, mas também no Dubai, em cujo aeroporto foram detidos hoje (26/07) dois generais do comando turco da NATO no Afeganistão.

O Presidente Recep Tayyip Erdogan avistou-se esta segunda-feira (25/07) com os principais líderes da oposição e em seguida o primeiro-ministro turco Binaly Yildrim afirmou que "os principais partidos estavam prontos a trabalhar na revisão da Constituição" que data de 1980, designadamente no sentido de colocar as forças de segurança sob a alçada do Ministério do Interior em substituição das chefias militares.

Mas o primeiro-ministro não fez qualquer alusão ao reforço dos poderes presidenciais, nem ao restabelecimento da pena de morte, que o Presidente afirma "ser vontade do povo".

Jean Claude Junker, o presidente da Comissão Europeia reagiu desde logo afirmando que tal poria imediatamente termo ao processo de adesão da Turquia à União Europeia, o que levou precisamente à abolição da pena de morte em 2004.

André Barrinha, investigador português em segurança europeia

André Barrinha docente universitàrio em Canterbury e investigador em segurança europeia, considera que depois do golpe de estado militar falhado de 15 de Julho "a primeira reação foi de afirmação de poder para mostrar quem está no comando...mas a Turquia entrou agora numa segunda e mais importante fase : apos os despedimentos e prisões de milhares de pessoas, o país volta progressivamente à normalidade, mas uma normalidade em contexto de estado de emergência...agora é tempo de ver até onde irá o impulso contra-revolucionário do pragmático Presidente Recebp Tayyip Erdogan, designadamente em relação ao restabelecimento da pena de morte, que provavelmente não irá tão longe, como se poderá crer neste momento".

O Presidente Erdogan acusou desde logo o seu opositor Fetulah Güllen (exilado nos Estados Unidos) de ser o instigador do golpe falhado, uma sondagem turca revela que dois terços dos turcos também o pensam, mas a teoria de um "complot" urdido pelo próprio Presidente Erdogan para se desembaraçar dos apoiantes de Güllen ganha cada vez mais terreno.

André Barrinha considera que é mais plausível a hipótese Güllen, precipitada pela existência de listas de dezenas de milhares de seus supostos apoiantes a serem afastados da administração pública e forças de segurança.

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