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Colombianos rejeitam acordo de paz em referendo

REUTERS/Jaime Saldarriaga

50,2% dos Colombianos rejeitaram ontem em referendo o acordo de paz assinado entre os guerrilheiros das FARC e o governo do Presidente Juan Manuel Santos, apenas 37% dos eleitoras foram às urnas.

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Os resultados para já provisórios, dão vitória ao "não" entre o acordo que o Governo da Colômbia assinou há apenas uma semana com as FARC. 

O "não" impôs-se nas urnas com 6.430.909 votos, ou 50,22 %, frente aos 6.374.491 votos obtidos pelo "sim", que representaram 49,77 %, com 99,92 % dos votos apurados.

Esta votação, não obrigatória, era um dos obstáculos a superar depois de 52 anos de luta armada entre a guerrilha de inspiração marxista e as forças de segurança colombianas. O acordo de paz permitiria aos guerrilheiros a sua reintegração na sociedade e transformação das FARC em partido político.

Este resultado inesperado contraria várias sondagens das últimas semanas que colocavam o "sim" à frente, ainda que com margens curtas.

Com 99% das mesas de voto contadas, o "não" venceu, tendo chegado aos 50,2%, enquanto o "sim" alcançou os 49,7% - uma diferença de 61,000 votos. Uma margem estreita que demonstra a forte polarização sentida no país. A participação foi de 37,2%, o que equivale a 34,9 milhões de votantes.

Tanto o Presidente como o líder da guerrilha já se pronunciaram sobre o resultado do referendo. O Presidente Juan Manuel Santos, garantiu que o cessar fogo e o fim das hostilidades se mantém e convocou hoje todas as forças políticas do país no intuito de pelo diàlogo determinar o caminho a seguir.

Presidente colombiano, Juan Manuel Santos

O líder das FARC, Rodrigo Londono Echeverri, conhecido pelo pseudónimo “Timochenko”, afirmou que continuará também a apostar na paz.

O lider das Forças Armadas Revolucionàrias da Colombia, Rodrigo Londono, mais conhecido pelo pseudónimo "Timochenko" lamenta que os colombianos tenham sido influenciados para rejeitar o acordo de paz; "o exército do povo -FARC - lamenta profundamente que o poder destructivo dos que semeiam ódio e rancor, tenha influenciado a opinião da população colombiana. Com estes resultados sabemos que o nosso desafio como movimento político é ainda maior e mais forte e nos obriga a construir a paz estável e duradoura".

Líder da FARC, Rodrigo Londono

O Governo colombiano declarou várias vezes não ter nenhum plano B em caso de vitória do "não", tendo rejeitado qualquer hipótese de renegociação do documento, cenário também já posto de parte pelas FARC. Ambas as partes afirmam que não vão regressar à guerra.

Em mensagem televisiva ao país, o Presidente Santos disse que a derrota não vai desestabilizar o país, que o cessar-fogo bilateral continua válido e deu instruções aos seus principais negociadores para se deslocarem a Havana, onde ao longo de 4 anos decorreu o processo de aproximação.

ex presidente Álvaro Uribe opositor ao acordo de paz pede um pacto nacional e protecção aos membros das FARC para que acabe a violência.

Antigo Presidente Álvaro Uribe

Os partidários do "não" celebraram a vitória. Opositores ao acordo de paz denunciaram, entre outras coisas o "laxismo" das sanções previstas contra os autores dos crimes de guerra mais graves, e a participação de guerrilheiros desmobilizados na política do país. O antigo presidente de direita e actual senador Álvaro Uribe, opositor declarado ao acordo com as FARC, voltou a criticar hoje o processo: "A paz é entusiasmante, os textos de Havana são decepcionantes".

Agora, a pergunta que está em todas as mentes é: "E agora?" O futuro político de Santos fica mais fragilizado com este resultado, e o futuro das FARC é incerto. Mais detalhes com a nossa correspondente Emily Wright.

Correspondência Colômbia

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