Sociedade /Itália

Itália face ao novo afluxo de migrantes

Manifestação em memória dos migrantes desaparecidos no mar e contra  Frontex, em Catane, na  Sicília. 18 de Abril de 2016
Manifestação em memória dos migrantes desaparecidos no mar e contra Frontex, em Catane, na Sicília. 18 de Abril de 2016 Cécile Debarge

Após uma semana em que foram socorridos 8000 migrantes ao largo das costas líbias e pelo menos morreram ou desapareceram mais de cinquenta pessoas, a Itália confrontada com a crise dos refugiados que afecta vários países da União Europeia , prepara-se para acolher um novo afluxo de recém-chegados. Segundo as autoridades italianas, a maior preocupação relaciona-se com a presença de menores não acompanhados pelos seus parentes.

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No sábado, um navio da guarda costeira italiana desembarcou em Nápoles, mais de 460 pessoas e o seu congénere britânico Enterprise implicado na operação europeia contra os traficantes de seres humanos em Sophia, ao largo da Grécia, transportou para Catana , na Sicília, cerca de 625 migrantes. Por outro lado o navio petroleiro Okyroe, requisicionado pela autoridades marítimas italianas é esperado esta noite em Augusta, também na Sicília com 800 passageiros. A rota será muito mais longa para os 840 migrantes a bordo do navio alemão Werra, aguardado na segunda-feira em Messina , outra localidade da Sicília.

 Na Itália que já acolheu em 2016 cerca de 150.000 migrantes e mais de 500.000 desde o Verão de 2013, a chegada de novas vagas tornou-se uma rotina . Segundo Raffaele Del Giudice , vice-presidente da Câmara Municipal de Nápoles, existe na Itália um grande movimento de solidariedade formado nomeadamente pelas autoridades policiais, a defesa civil e a Caritas.

 Todavia contráriamente aos anos anteriores, a identificação à chegada e o encerramento de facto das fronteiras do norte da Europa, fazem com que os migrantes que tencionavam deslocar-se para o norte ,sejam obrigados a permanecer na Itália. Esta semana, os centros de acolhimento italianos registaram a entrada de 165.000 pessoas, ou seja, mais 60% do que em 2015 e cerca do triplo de 2014.

 De acordo com o projecto orçamental enviado no dia 15 de Outubro pelo governo italiano à Comissão de Bruxelas, a Itália efectuou despesas da ordem dos 3,3 mil milhões de euros em 2015 para enfrentar a emergência representada pelo afluxo de migrantes ao seu território. Em 2016, o montante das despesas referente ao acolhimento de migrantes, de acordo com o governo italiano, poderá atingir a cifra de 3,8 mil milhões de euros. Uma atenção particular será consagrada aos menores não acompanhados , que na sua maioria situam-se numa faixa etária entre os 15 e os 17 anos. Em 2016 afluíram à Itália cerca de 20.000 menores , um número 50% à 60% superior em relação aos últimos dois anos.

 

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