Política/Itália

Itália: referendo das incertezas

Matteo Renzi quando votava domingo em  Pontassieve, próximo de Florença, acompanhada pela sua esposa Agnese.04 de Dezembro  de 2016.
Matteo Renzi quando votava domingo em Pontassieve, próximo de Florença, acompanhada pela sua esposa Agnese.04 de Dezembro de 2016. REUTERS/Leonardo Bianchi

Os italianos foram domingo às urnas sob proposta do Primeiro-Ministro Matteo Renzi,para um referendo que tem como objectivo reformar as regras do jogo parlamentar e da vida política na Itália.Renzi que aposta numa vitória do "sim" para transformar a vida política italiana ,anunciou qpe aparesentará a sua demissão das funções de chefe do governo. Segundo os analistas, uma vitória do "não" poderá mergulhar a Itália, bem como a União Europeia numa período de incerteza, numa altura em que se constata na Europa o ressurgimento dos extremismos.

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A  campanha que antecedeu o escrutínio deste domingo foi marcado por um acérrimo debate sobre as instituições italianas, cujo modelo de funcionamento data de há 68 anos, fim da Segunda Guerra Mundial e tem segundo os seus detractores o selo desastroso do fascista Benito Mussolini, que governava a Itália durante o referido conflito . O Primeiro-Ministro Matteo Renzi que decidiu demitir-se em caso da derrota do "sim", tenciona nomeadamente limitar os poderes do Senado italiano.

 As últimas sondagens datando do 18 de Novembro, davam como vencedor o segmento da população favorável ao "Não" . Todavia paralelamente, a indecisão de um quarto do eleitorado faz pairar uma incerteza sobre o desfecho do referendo . Matteo Renzi que personalizou o referendo considera que é para os italianos a grande oportunidade para afastar, segundo ele, a casta de políticos que tira proveito do poder há mais de sessenta anos .

 Cinquenta e um milhões de eleitores , incluindo 4 milhões de italianos residentes no estrangeiro terão a última palavra. A votação para os italianos no estrangeiro foi realizada na quinta-feira. Segundo o Ministério do Interior italiano ao meio-dia a participação no voto registava uma média de 20%, com destaque para uma maior mobilização no norte de Itália . Domingo as mesas de voto encerram às 23 horas (22h00 GMT).

 A maioria da classe política italiana, da direita conservadora aos populistas do Movimento 5 Estrelas( M5S) incluindo a regionalista Liga do Norte e outros partidos extremistas, assim como os "descontentes" do Partido Democrata(PD) de Matteo Renzi apelaram para um voto à favor do "Não" . Eles denunciam o excesso de concentração de poderes por parte do Chefe do governo, em caso de vitória do "Sim" e visam o afastamento de Matteo Renzi, que recorreu às redes sociais para defender a sua reforma constitucional, suposta simplificar a vida política da Itália, que após 1948 teve 60 governos.

 As consequências de uma vitória do "Não" para a União Europeia em particular e para a Europa em geral, levaram o Presidente cessante dos Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, bem como o presidente da Comissão europeia , Jean-Claude Juncker, a lançar um apelo à favor do voto no "Sim".

                     

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