Itália

Italianos dizem Não ao referendo constitucional

Matteo Renzi, durante a conferência de imprensa, de 5 de dezembro de 2016, após a rejeição do seu referendo constitucional deste domingo
Matteo Renzi, durante a conferência de imprensa, de 5 de dezembro de 2016, após a rejeição do seu referendo constitucional deste domingo REUTERS/Alessandro Bianchi

O referendo sobre a reforma constitucional italiana foi rejeitado este domingo por 59,59 por cento dos italianos que disseram assim não ao primeiro-ministro, Mateo Renzi, ao seu governo e partido democrata.

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Quase 60 por cento dos italianos disseram "Não" ao referendo constitucional deste domingo, 4 de dezembro, organizado pelo primeiro-ministro italiano, Mateo Renzi, o grande derrotado, obrigado a apresentar a sua demissão ao presidente da República, conforme a sua promessa de campanha.

Efectivamente, Mateo Renzi, ao lançar a ideia da reforma constitucional, prometeu que se perdesse o referendo, apresentaria a sua demissão como primeiro-ministro da Itália.

Nada obrigava o primeiro-ministro italiano a fazer tal promessa, mas cometeu um erro táctico, já que a sua atitude foi vista pelos italianos como uma espécie de chantagem ou então como uma posição autoritária sobre o livre arbítrio e a liberdade de escolha do cidadão italiano.

Durante uma conferência de imprensa, esta segunda-feira, 5 de dezembro, o primeiro-ministro, Mateo Renzi, reconheceu a vontade do povo italiano e declarou aos jornalistas que ia apresentar a sua demissão ainda hoje ao presidente da República, Mattarella.

Os grandes vencedores deste referendo constitucional italiano, são os partidos populistas, Liga do Norte e Movimento 5 Estrelas, que aliás já reclamaram eleições antecipadas, com este último dizendo estar disponível para participar no governo.

Só que o Presidente da República, pode voltar a confirmar Mateo Renzi, num governo de transição, nomear outro primeiro-ministro, entre diversas personalidades como Pier Carlo Padoan, actual ministro das finanças ou Pietro Grasso, presidente do Senado.

Este governo técnico de transição terá como prinicipal função modificar a lei eleitoral, antes de eventuais eleições antecipadas.

É esta a opinião da socióloga de origem caboverdiana, Maria Évora, do partido democrata, de Matteo Renzi, que afirma que a Itália ainda não deve avançar para eleições antecipadas que só beneficiariam os populistas.

Maria Évora, Socióloga caboverdiana sobre o NÃO ao referendo constitucional na Itália

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