Telefonema entre Trump e Taiwan gera preocupação na China

Donald Trump qualificou o telefonema como sendo apenas "uma conversa cordial" mas a chamada está a ganhar uma forte carga simbólica.
Donald Trump qualificou o telefonema como sendo apenas "uma conversa cordial" mas a chamada está a ganhar uma forte carga simbólica. REUTERS/Carlo Allegri

Donald Trump falou, na passada sexta-feira, com a presidente do Tawain, Tsai Ing-wen, no que foi o primeiro contacto entre Washington e Taipei em 40 anos. O telefonema está a ser fortemente criticado na China que pede aos Estados Unidos para respeitarem o princípio de uma única China. 

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Donald Trump qualificou o telefonema como sendo apenas "uma conversa cordial" mas a chamada está a ganhar uma forte carga simbólica tendo em conta que quebra uma tradição diplomática americana que consistia em ignorar a República de Taiwan desde o final dos anos 1970.

O governo chinês criticou a iniciativa do futuro presidente americano ao dizer que "se deve realçar o facto de que existe uma única China e de que Taiwan é uma parte inalienável do território chinês". No entanto, Pequim foi bastante parca em palavras em relação a Washington, optando, ao invés, por criticar o governo de Taipei. O ministro dos negócios estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que "o telefonema foi orquestrado por Taiwan" mas que este não vai conseguir "modificar o consenso da comunidade internacional de que existe apenas uma única China". 

Já Donald Trump aproveitou este incidente diplomático para criticar muito fortemente a China, tal como o tinha feito durante a campanha presidencial. Numa série de tweets publicados na sua conta, o futuro presidente americano afirmou nomeadamente que a China não tinha que pedir satisfações aos Estados Unidos já que também não lhes tinha pedido a opinião quando "desvalorizou a sua moeda, tornando a vida díficil às companhias americanas, e começou a taxar fortemente os produtos oriundos dos Estados Unidos".   

Trump aproveitou também para denunciar a hipocrisia da diplomacia ao afirmar que "é interessante que os Estados Unidos vendam armamento equivalente a vários bilhões de dólares ao Taiwan mas que não possam receber uma chamada de felicitações". Efectivamente, desde 1990, estima-se que os Estados Unidos tenham vendido cerca de 46 bilhões de armamento à China. 

Taiwan separou-se da China em 1949, após a segunda guerra mundial, e é um estado independente desde então. No entanto, Pequim considera que a ilha continua a fazer parte do território da República Popular da China. 

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