ONU/Portugal

António Guterres prestou juramento na ONU

Antonio Guterres, diante da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque
Antonio Guterres, diante da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque DON EMMERT / AFP

O futuro secretário-geral da ONU, o português António Guterres, prestou juramento esta segunda-feira e assume o cargo num momento de incerteza depois da eleição de Donald Trump. António Guterres deve anunciar ainda hoje o seu adjunto e o director do gabinete, dois postos importantes na equipa do dirigente da ONU.

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O português António Guterres foi consagrado esta segunda-feira secretário-geral da ONU numa cerimónia oficial na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. De seguida Guterres vai apresentar aos 193 países membros os projectos para responder às múltiplas crises mundiais e reformar a instituição.

António Guterres é o primeiro antigo dirigente de um país a chegar à liderança da ONU. O português vai suceder a Ban Ki-moon no dia 1 de Janeiro de 2017, algumas semanas antes da tomada de posse do presidente norte-americano Donald Trump, cerimónia marcada para 20 de Janeiro.

"Político experimentado"

A escolha do ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, para se tornar no nono secretário-geral das Nações Unidas, entusiasmou vários diplomatas que vêem em Guterres um político experimentado e capaz de ultrapassar as divisões que minam a actualmente a ONU, como é o caso da Síria.

"Obstáculos de Guterres"

O fim conflito sírio é uma das prioridades do antigo primeiro-ministro português, no entanto esta missão poder vir a ser complicada com a eleição de Donald Trump para a Casa Branca. Richard Gowan, perito da ONU no Conselho Europeu dos Negócios Estrangeiros, estima que " será duro para Guterres propor grandes reformas institucionais ou lançar novas iniciativas políticas enquanto a equipa de Trump não estiver constituída e não apresentar as suas intenções".

"Mandato de incertezas"

A vitória de Trump criou igualmente alguma incerteza no que diz respeito ao acordo de Paris sobre o clima, uma vez que durante a campanha eleitoral o milionário prometeu por diversas ocasiões retirar-se do mesmo. Desde a sua eleição, Donald Trump ainda não fez qualquer comentário sobre a ONU nem do multilateralismo, contudo a escolha da governadora da carolina do Sul, Nikki Haley, como embaixadora dos Estados Unidos foi visto como um sinal positivo.

"Reforma da ONU"

A chave para integrar a administração Trump poderá encontrar-se nos projectos de reforma da instituição que tem vindo a ser defendida por António Guterres, salienta um diplomata do Conselho de Segurança. O futuro patrão da ONU deve mostrar que é capaz de "reestruturar a instituição e torná-la mais eficaz", acrescenta o diplomata que prefere manter-se no anonimato.

"EUA: o grande finaciador"

Os Estados Unidos são o maior financiador da ONU contribuindo com 22% do orçamento operacional da instituição e apoiando 28% das missões de manutenção da paz avaliadas em 8 mil milhões de dólares por ano.

Esta segunda-feira António Guterres deve anunciar ainda e seu adjunto e o director do gabinete, dois postos importantes na equipa do dirigente da ONU. O ministro nigeriano do Ambiente poderá tornar-se no número dois da ONU e uma mulher deverá ser nomeada directora de gabinete.

 

 

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