Terrorismo/Turquia

Turquia: autoridades acusam PKK de estar na origem de novo atentado

Zona  em  que foi cometido o atentado   em Kayseri, na  Turquia. 17  de Dezembro  de 2016
Zona em que foi cometido o atentado em Kayseri, na Turquia. 17 de Dezembro de 2016 Turan Bulut/ Ihlas News Agency via REUTERS

Novo atentado na cidade de Kayseri, cidade situada na província turca da Anatólia, provocou a morte de 13 militares e cerca de 50 feridos. As autoridades de Ancara acusam os separatistas curdos do PKK(Partido dos Trabalhadores do Curdistão), a de estar na origem do incidente. 0 mesmo ocorre uma semana após um duplo atentado que provocou a morte de 44 pessoas em Istanbul. Até ao momento, nenhuma reivindicação foi feita no tocante ao acto de Kayseri.

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Uma semana depois de um duplo atentado ter vitimado 44 pessoas em Istambul, o separatismo curdo volta a matar na Turquia – esta manhã um carro armadilhado explodiu junto a um autocarro com militares, parado num semáforo vermelho, na cidade de Kayseri, no centro da Anatólia, tendo provocado 13 mortos – todos militares que saíam da base para passar o fim de semana, e cerca de 50 feridos.

O atentado de sábado ainda não foi reivindicado, mas as autoridades já acusaram os separatistas curdos do PKK(Partido dos Tralhadores do Curdistão) . De facto, o alvo e o modus operandi ,o ataque alvejou as forças de segurança, fazem supor um ataque do PKK ou de um dos grupos a ele associados, como o TAK, falcões para a libertação do curdistão.

Imediatamente apó o ataque uma multidão enfurecida vandalizou e incendiou a sede do partido curdo em Kayseri, pedindo vingança, “dente por dente, sangue por sangue”, e “Allah é grande”, gritava a multidão.

Este ataque confirma que a pendente questão curda na Turquia , entrou numa perigosa espiral de violência. Durante toda a semana, ministros do Governo e a imprensa pró-governamental exortaram à vingança após o atentado de Istambul.O próprio presidente Recep Tayyip Erdogan pediu uma mobilização geral contra o terrorismo, e nas ruas da Turquia já não se distingue entre o PKK, grupo terrorista que luta há 40 anos pela independência do Curdistão, o partido curdo HDP, moderado, e os curdos em geral , todos são considerados “terroristas”.

O agravamento do conflito entre curdos e turcos tem também de ser analisado à luz do contexto internacional.Nos últimos dois anos, grupos curdos associados ao PKK(Partido dos Trabalhadores do Curdistão) têm consolidado a sua presença quer no norte da Síria quer no norte do Iraque, aproveitando o caos da guerra contra o Daesh. Alguns desses grupos,entre os quais as milicias sírias curdas, têm sido aliás apoiados pelos Estados Unidos da América , por serem no terreno o grupo mais eficaz contra o Daesh. O governo de Ancara critica o Ocidente , acusando-o de apoiar abertamente o terrorismo. As autoridades turcas confirmaram que os explosivos utilizados em Istambul a semana passada seriam de tipo militar e teriam vindo do norte da Síria.

O ataque de sábado em Kayseri expõe as potenciais fragilidades da máquina de segurança turca, devido à enorme purga que se seguiu ao falhado golpe de Estado de Julho passado. Com milhares de polícias despedidos ou detidos, e perante ataques terroristas de vários quadrantes, as forças de segurança turcas têm-se revelado incapazes de dar uma resposta adequada às acções terroristas.

 

Correspondência Turquia. José Pedro Tavares

 

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