Alemanha

Autor do atentado de Berlim pode estar em fuga

Homenagem da população às vítimas do atentado em Berlim. 20 d Dezembro de 2016.
Homenagem da população às vítimas do atentado em Berlim. 20 d Dezembro de 2016. REUTERS/Fabrizio Bensch

Um responsável da polícia, citado pelo jornal Die Welt, declarou que se deteve o homem errado e que o autor do ataque está em fuga. O ataque com camião na segunda-feira à noite fez 12 mortos e 48 feridos.

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Um responsável da polícia, citado pelo jornal Die Welt, declarou: “Não temos a pessoa certa e estamos perante uma nova situação. O verdadeiro autor continua armado, em fuga, e pode agir novamente.”

Mais prudente, em conferência de imprensa, o procurador-geral alemão Peter Frank, indicou que o suspeito detido “talvez não seja o autor ou não pertença ao grupo que perpetrou o ataque”.

A polícia alemã confirmou, hoje, que o condutor do camião que matou 12 pessoas ao abalroar a multidão num mercado de Natal em Berlim fê-lo deliberadamente, falando em “provável ataque terrorista”.

Na conta Twitter, a polícia de Berlim pediu à população para permanecer vigilante.

 

Paquistanês detido nega acusações e polícia sem certezas

Um homem de origem paquistanesa foi detido para interrogatório, na segunda-feira à noite, mas negou categoricamente ter sido o autor do ataque. O indivíduo de 23 anos é conhecido pelos serviços de polícia por delitos menores, tem uma autorização de residência temporária desde Junho e estava alojado num centro para refugiados no local do antigo aeroporto de Tempelhof.

A imprensa alemã avançou que o homem teria saltado da cabina do camião e corrido para o parque Tiergarten, onde vários testemunhas telefonaram à polícia. Porém, esta tarde, o chefe da polícia de Berlim, Klaus Kandt, reconheceu que as autoridades não tinham a certeza que se tratasse do autor do ataque.

O camião abalroou a multidão que visitava o mercado de Natal, em pleno centro de Berlim. Doze pessoas morreram, 48 estão feridas, incluindo 18 em estado grave.

O camião pertencia a uma empresa de transportes polaca e o condutor habitual do veículo, de nacionalidade polaca, foi encontrado morto lá dentro.

O « modus operandi » do ataque faz lembrar o atentado de Nice de 14 de Julho, que fez 86 mortos e foi reivindicado pelo Estado Islâmico. Um camião conduzido pelo tunisino Mohamed Lahouaiej Bouhlel tinha atropelado a multidão que tinha ido assistir ao fogo de artifício da festa nacional francesa.

Posições extremam-se sobre imigração

O ataque relançou o vivo debate sobre a imigração que agita a classe política alemã há meses. No ano passado, o acolhimento de mais de 900.000 migrantes e refugiados provocou tensões na coligação no poder e favoreceu a subida do partido da extrema-direita AfD a alguns meses das eleições legislativas, previstas para Setembro.

"Há muitas coisas que ainda não sabemos com suficiente certeza mas devemos, no estado actual das coisas, partir do princípio que se tratou de um ataque terrorista”, declarou, esta manhã, à imprensa, a chanceler alemã, Angela Merkel.

A chanceler sublinhou que seria “particularmente duro” se for confirmado que o autor do ataque era uma pessoa que procurou protecção da Alemanha enquanto refugiado.

Entretanto, a CSU, aliada da CDU de Angela Merkel, apelou para uma mudança na política de imigração e segurança.

Na Europa, o primleiro-ministro eslovaco Robert Fico declarou que a opinião pública europeia pode esperar medidas mais fortes contra a imigração.

No Reino Unido, o ex-chefe do partido de extrema-direita UKIP, Nigel Farage, criticou “a herança Merkel” via twitter.

Vários países europeus, incluindo a França, anunciaram um reforço das medidas de segurança durante as férias de Natal e Ano Novo.
 

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