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Alemanha: Aumenta a polémica sobre ineficácia das autoridades

Ataque de 19 de Dezembro, em Berlim, provocou 12 mortos.
Ataque de 19 de Dezembro, em Berlim, provocou 12 mortos. REUTERS/Hannibal Hanschke

A “caça ao homem” à escala europeia continua depois das autoridades alemãs terem emitido um mandado de captura para encontrar Anis Amri, um tunisino de 24 anos. Entretanto, aumenta a polémica sobre a ineficácia da polícia.

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Na Alemanha, aumenta a polémica sobre os disfuncionamentos das autoridades que tinham identificado o principal suspeito do ataque como um islamita potencialmente perigoso. O tunisino Anis Amri estava referenciado no centro de luta anti-terrorista e durante este ano tinha estado sob vigilância porque se suspeitava que estava a preparar um assalto para financiar a compra de armas e um atentado. As suspeitas surgiram aos níveis federal e regional, nomeadamente na Renânia, onde ele morou este ano. No entanto, a investigação caiu por terra em Setembro perante a falta de provas.

A imprensa alemã questiona como é que a polícia e o Ministério Público deixaram escapar tantos sinais de alerta, tanto mais que o indivíduo esteve durante meses ligado ao movimento salafista e a conhecidos predicadores do "jihad". Em Novembro, tinha havido um novo alerta sobre ele, pouco antes de desaparecer. “As autoridades tinham-no nos radares e ele conseguiu, mesmo assim, desaparecer”, comentava o Der Spiegel.

Por outro lado, o seu pedido de asilo tinha sido rejeitado e a sua expulsão da Alemanha tinha sido bloqueada pela Tunísia. O jornal local Darmstädter Echo questionava “como é que uma pessoa como o suspeito tunisino pôde brincar ao gato e ao rato com as autoridades encarregues da sua expulsão?”

Hoje, o jornal alemão Bild anunciou a detenção de quatro pessoas que estiveram em contacto com o alegado autor do atentado de segunda-feira em Berlim, mas o Ministério Público desmentiu a informação.

Na quarta-feira, as autoridades emitiram mandado de captura europeu para encontrar o suspeito de 24 anos, e oferecem uma recompensa de 100 mil euros. No mesmo dia, a procuradoria anti-terrorista alemã identificou o suspeito como Anis Amri, um cidadão tunisino de 24 anos, de 1m78 e 75 quilos. "Poderá ser perigoso e estar armado", indica a procuradoria, em comunicado, adiantando que foi emitido um mandado de captura e que há uma recompensa de 100.000 euros.

A polícia teria identificado o suspeito graças a uma autorização de residência temporária encontrada na cabina do camião que matou 12 pessoas na segunda-feira à noite, ao abalroar deliberadamente a multidão num mercado de Natal, em Berlim.

Na terça-feira à noite, o autodenominado Estado Islâmico reivindicou o ataque da Breitscheidplatz, em comunicado publicado na Amaq, a agência de propaganda da organização terrorista. "Um soldado do EI cometeu a operação de Berlim em resposta aos apelos para visar os cidadãos dos países da coligação internacional", indicava o documento.

O camião abalroou a multidão que visitava o mercado de Natal, em pleno centro de Berlim. Doze pessoas morreram, 48 estão feridas, incluindo 18 em estado grave.
 

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