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Espaço Schengen cada vez mais criticado

Espaço Schengen - 2016
Espaço Schengen - 2016 DR

O Acordo de Schengen é um dos mais importantes pilares da União Europeia, pois permite a livre circulação de pessoas e de bens nos seus 26 países signatários. Mas está a ser duramente criticado pelos eurocépticos, depois de ter ficado provado que o autor do atentado do mercado de Natal, em Berlim, a 19 de Dezembro, conseguiu fugir, viajado por três países europeus, antes de ser abatido em Itália...por acaso.

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As críticas chovem, e o debate não vai parar tão cedo. Eurocépticos como Nigel Farage, ex-líder do Partido da Independência do Reino Unido, Geert Wilders, líder do holandês Partido da Liberdade, de extrema-direita, ou Marine Le Pen, candidata à Presidência da França pelo partido de extrema-direita Frente Nacional, criticam o espaço Schengen e a livre circulação, considerando ser uma "catástrofe para a segurança”.

Esta nova vaga de ataques contra o espaço Schengen deve-se ao facto de o tunisino Anis Amri, autor do atentado com um camião no Mercado de Natal de Berlim, a 19 do corrente mês, ter viajado pela Alemanha,  França e Itália, sem ser incomodado.

Com efeito, depois do atentado, Anis Amri deixou Berlim, atravessou boa parte da Alemanha e da França, de combóio, foi filmado pelas câmaras de segurança na gare Lyon Part-Dieu, depois entrou em  Itália, onde continuou a viajar de combóio até Milão.

Recorde-se que o terrorista foi morto por acaso, no dia 22, e não havia nenhuma informação sobre a presença dele em território italiano. Por volta das 3h da madrugada (hora local), dois polícias abordaram Amri numa praça de Milão e pediram -lhe os documentos, durante uma banal operação de rotina.

Repentinamente, Amri tirou uma arma da sua mochila, e conseguiu ferir um dos agentes da autoridade. Mas o segundo ripostou, atingindo o terrorista mortalmente.

O debate instalou-se, a nível europeu, e hoje há os que exigem o "enterro" do Acordo de Schengen, os que o defendem, em nome da Liberdade, e os que consideram que serão necessárias reformas radicais para o salvar.

Cabe aqui referir que no fim do ano passado, depois dos atentados de Paris, o presidente francês, François Hollande, tinha suspendido o acordo por três meses, utilizado uma cláusula do Acordo de Schengen. 

 

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