RÚSSIA/ESTADOS UNIDOS

Rússia/EUA: Perfume de guerra fria

Presidentes russo e americano, respectivamente Vladimir Putin e Barack Obama.
Presidentes russo e americano, respectivamente Vladimir Putin e Barack Obama. RFI

O presidente russo optou por não expulsar 35 diplomatas americanos. A medida fora equacionada por Moscovo após idêntica atitude de Washington que alegara envolvimento russo num sistema de pirataria informática em torno das eleições presidenciais americanas.

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O Kremlin negara de forma categórica as acusações de Obama, medidas que entram em vigor a menos de um mês do fim do mandato do inquilino da Casa Branca.

O FBI, a CIA e a direcção do serviço de informações americano concluíram em que a Rússia fora responsável por actos de pirataria do sistema informático do Comité nacional democrata durante a campanha eleitoral americana.

Esta desembocara a 8 de Novembro passado na eleição do repúblicano Donald Trump, em detrimento da sua rival democrata Hillary Clinton.

Desta feita as autoridades americanas declararam como "persona non grata" 35 agentes de informação russos e decidiram fechar dois centros russos ligados à área da informação.

As 35 pessoas visadas têm 72 horas para deixar o território americano e o acesso aos dois centros em causa em Nova Iorque e no Maryland será vedado a qualquer responsável russo a partir do meio dia desta sexta-feira, hora local.

O Departamento de Estado queixa-se do assédio de há longa data dos seus diplomatas em Moscovo da parte de agentes de segurança russos ou até de agentes de circulação.

A Rússia reagiu de imediato a estas medidas dos Estados Unidos equacionando expulsar também 35 americanos e impedir que o pessoal diplomático utilize uma residência secundária e uma armazém de Moscovo.

O presidente Vladimir Putin descartou, porém, tal medida que lhe fora submetida pelo ministro russo dos negócios estrangeiros, Sergei Lavrov.

A crispação entre Moscovo e Washington em contexto de denúncias de espionagem lembra os tempos da "Guerra Fria" com a divisão do mundo em duas esferas de influência ideológica, americana e soviética, separadas pela cortina de ferro.

A decisão do Presidente norte-americano surgiu depois da CIA e do FBI terem avançado que a Rússia teria tido acesso de forma ilegal a e-mails do partido democrático e, assim, recolhido informações que permitiram interferir nas eleições nos Estados Unidos que deram a vitória a Donald Trump, com quem a Rússia tem melhores relações como explica o docente na Universidade nova de Lisboa e investigador do instituto português de relações internacionais, Tiago Moreira de Sá.

Docente na Universidade Nova de Lisboa, Tiago Moreira de Sá

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