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Erdogan vence referendo com 51% dos votos

REUTERS/Murad Sezer

Os últimos resultados, ainda não oficiais, sugerem que um pouco mais de metade dos eleitores turcos aprovaram as reformas constitucionais, na mais drástica reforma da arquitectura do regime desde que a moderna república turca foi fundada por Mustafa Kemal Ataturk.

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A confirmar-se estes resultados a Turquia passaria a ter um sistema presidencial, com todos os poderes nas mãos do chefe de Estado, que passará a nomear ministros e a chefiar o executivo - aliás o posto de primeiro-ministro desapareceria. Vários políticos da oposição, que defendia a manutenção do actual sistema parlamentar, já disseram que alguns incidentes durante o processo eleitoral retiram legitimidade ao voto – nomeadamente, a decisão inédita da comissão nacional de eleições, anunciada antes das urnas fecharem, de aceitar boletins de votos não carimbados pelos presidentes da mesa na contagem total.

A votação, que teve uma enorme afluência - cerca de 87% dos 58 milhões de eleitores votaram – decorreu de forma normal na maior parte do país, apesar de alguns incidentes graves - em Diyarbakir, no leste do país, três pessoas morreram depois de uma discussão em frente a uma assembleia de voto.

O actual Presidente – Recep Tayyip Erdogan sai assim reforçado destas eleições. Erdogan defendia que só esta reforma constitucional permitiria acabar com a tensão entre os diferentes pilares do poder, e minimizar os com os jogos de influência dos diferentes sectores da sociedade.

Mas a oposição teme que seja um passo atrás na democracia turca, e que esta concentração de poderes poderá resvalar para uma ditadura, porque não estará garantida a separação de poderes. Seria um presidencialismo à americana sem um congresso forte e tribunais independentes.

Estas eleições confirmam que o país está totalmente dividido a meio.

A vitória do “sim” assegurará estabilidade a curto prazo, mas problemas a mais longo prazo: vamos continuar a ter um omnipresente e polarizador Erdogan, a dominar totalmente o país, e a continuar a impor a sua agenda islamizante, nacionalista, conservadora e de afrontamento com a Europa – o ocidente foi aliás um dos alvos preferidos de Erdogan na campanha.

O Presidente repetiu vezes sem conta que a Europa é um clube cristão, islamofóbico, xenófobo, fascista, mesmo nazi, que apoia terroristas contra a Turquia e que quer impedir a nação turca de concretizar todo o potencial. Perspectivam-se tempos ainda mais difíceis na já frágil relação entre a Turquia e a Europa. O referendo foi acompanhado pelo nosso correspondente em Ancara, José Pedro Tavares.

Correspondência de Turquia

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