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CPLP

Argentina pede para ser membro observador da CPLP

A carta formal com o pedido argentino de integrar a CPLP como membro observador associado será entregue ao Secretariado Executivo, com sede em Lisboa, antes do dia 30 de junho.
A carta formal com o pedido argentino de integrar a CPLP como membro observador associado será entregue ao Secretariado Executivo, com sede em Lisboa, antes do dia 30 de junho. cplp.org
Texto por: RFI
3 min

Com o objectivo de se aproximar de África, a Argentina será o próximo membro associado observador da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). O pedido formal argentino será apresentado na semana que vem, mas já tem aval informal entre os nove estados-membros.

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A carta formal com o pedido argentino de integrar a CPLP como membro observador associado será entregue ao Secretariado Executivo, com sede em Lisboa, antes do dia 30 de Junho. Quem confirma à RFI é o embaixador argentino em Portugal, Oscar Moscariello, que também destaca o objectivo argentino de se aproximar dos países africanos.

"A Argentina quer elevar a sua participação em foros e blocos para que a importância da Argentina seja gravitante com a maior quantidade de países possível", indica Moscariello.

Principal aliada do Brasil e com relações históricas com Portugal, a dimensão africana faz parte dessa estratégia de aproximação com novos países. "No caso da CPLP, não temos nenhuma relação com alguns países que a integram. Queremos afiançar essas relações", aponta.

No início de junho, Moscariello reuniu-se com a secretária geral da CPLP, Maria do Carmo Silveira, de São Tomé e Príncipe, a quem antecipou o desejo argentino.

Além dos nove estados-membros da CPLP, actualmente são dez os observadores associados: Geórgia, Hungria, Japão, República Checa, República Eslovaca, República da Maurícia, Namíbia, Senegal, Turquia e o único latino-americano: o Uruguai.

O pedido argentino já conta com o aval informal dos estados-membros. É o que antecipa à RFI o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva.

"Esta proposta argentina será bem-vinda. Portugal estima que a figura do membro associado ou observador associado é uma boa figura e não se compreendia que, havendo observadores associados asiáticos como o Japão e europeus como a República Checa ou como a Turquia, houvesse até este momento, apenas o Uruguai como país observador (latino-americano)", avalia Santos Silva.

"Se mais países latino-americanos, tendo uma proximidade tão grande com a língua portuguesa, quiserem apresentar as suas candidaturas, isso, do ponto de vista português, é uma boa iniciativa", incentiva.

Com a Argentina, a CPLP ganha, além de projecção pela América Latina, um membro com liderança mundial em tecnologia de alimentos e em técnicas de produção agropecuária. Com África, a Argentina ganha uma nova fronteira para a cooperação internacional.

Triangulação com Moçambique

A cooperação argentina já começou com Moçambique ainda no esquema triangular no qual a Argentina se soma a países com experiência em África como Holanda e Portugal na modalidade público-privada.

No mês passado, especialistas argentinos do Instituto Nacional de Tecnologia Agopecuária (INTA) chegaram a um acordo sobre a instalação de campos demonstrativos de plantio directo.

 

O projeto com a ONG holandesa Technoserve visa demonstrar como a adopção do sistema produtivo argentino, em associação com um pacote tecnológico, permite uma melhoria nos níveis de produção de alimentos, reduzindo a degradação do meio-ambiente.

"Há projectos em comum em desenvolvimento entre Portugal e Argentina com Moçambique. São projectos nos quais uma empresa argentina tem a experiência, máquinas ou a capacidade de financiamento e que possa beneficiar as empresas portuguesas que já estão no terreno em África", indica à RFI o ministro da Economia de Portugal, Manuel Caldeira Cabral.

 

Confira aqui a crónica de Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires, sobre o assunto. 

 

Crónica de Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

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