Camboja

Camboja sob pressão após dissolução de partido de oposição

Primeiro-Ministro do Camboja, Hun Sen.
Primeiro-Ministro do Camboja, Hun Sen. REUTERS/Samrang Pring

O Supremo Tribunal do Camboja, controlado pelo regime de Hun Sen, no poder há 32 anos, pronunciou-se ontem a favor da dissolução da principal formação de oposição, o Partido de Salvação Nacional do Camboja (CNRP), isto a poucos meses de eleições cruciais e numa altura em que a tensão é grande naquele país, a ameaça de sanções pesando doravante sobre Phnom Penh.

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"É a morte da democracia no Camboja" considerou a Human Rights Watch. No mesmo sentido, o Reino Unido disse que o Camboja tornou-se "um país com partido único", os Estados Unidos e a União Europeia quanto a si agitaram a ameaça de sanções. Bruxelas declarou que "o respeito pelos Direitos Humanos" é uma condição prévia para que o Camboja continue a beneficiar do programa de preferências comerciais da União Europeia. Por seu turno. Washington que qualificou o sucedido de "retrocesso do desenvolvimento democrático" do país, apelou Phnom Penh a voltar atrás na sua decisão, sob pena do Comité Eleitoral Nacional do Camboja deixar de receber o seu apoio.

O Camboja organiza eleições legislativas no próximo mês de Julho. Desde as eleições autárquicas do passado mês de Junho em que a oposição conheceu um forte impulso, Hun Sen tem lançado uma campanha de repressão contra a oposição que culminou com a detenção em Setembro de Kem Sokha, presidente do Partido de Salvação Nacional do Camboja sob acusação de "traição e espionagem", um crime passível de 30 anos de prisão. Com efeito, o governo afirma que essa formação pretenderia preparar uma revolução com o apoio dos Estados Unidos.

Marcado pelas feridas deixadas pelos Khmers Vermelhos na segunda metade da década de 70, este país que beneficia de um crescimento económico exponencial de 7%, deve parte do seu crescimento ao dinamismo do seu sector têxtil cujas exportações são absorvidas a 60% pelos Estados Unidos e a União Europeia. Apesar das ameaças desses parceiros, Phnom Penh mostrou-se relativamente indiferente, alegando que "países com a Rússia a China, o Japão e a Coreia do Sul vão ajudar o país no caminho da democracia". A China que é -de longe- o principal doador e investidor no país declarou hoje que apoia o Camboja "na implementação do seu próprio modelo de desenvolvimento".

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