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Turquia/Rússia/Irão/Síria

Turquia, Rússia e Irão prometem cooperar sobre Síria

Presidente do Irão, Hassan Rohani, Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e Presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ancara, Turquia. 4 de Abril de 2018.
Presidente do Irão, Hassan Rohani, Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e Presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ancara, Turquia. 4 de Abril de 2018. TOLGA BOZOGLU / POOL / AFP
Texto por: RFI
6 min

Os presidentes turco, russo e iraniano comprometeram-se, esta quarta-feira, a cooperar para alcançar um “cessar-fogo duradouro” na Síria. A intenção foi divulgada, em comunicado, depois de uma cimeira em Ancara, na Turquia.

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Os presidentes turco, russo e iraniano, Recep Tayyip Erdogan, Vladimir Putin e Hassan Rohani, “reafirmaram a sua determinação em cooperar activamente na Síria para alcançar um cessar-fogo duradouro entre os beligerantes”.

Os chefes de Estado também sublinharam as suas intenções de “acelerar os esforços para garantir a calma no terreno e proteger os civis nas zonas de diminuição de violência e facilitar um acesso rápido de ajuda humanitária para essas zonas”.

A Rússia, o Irão e a Turquia lideram o chamado processo de paz de Astana - paralelo e, de certo modo, rival às negociações lideradas pelas Nações Unidas - para conseguir uma solução política para a guerra na Síria, que já entrou no oitavo ano. Os três países têm tropas na Síria e são actores directos e cruciais para a resolução do conflito. Apesar de Moscovo e de Teerão apoiarem Damasco e de Ancara apoiar os rebeldes sírios, há uma certa colaboração no terreno de guerra. Moscovo deu, por exemplo, cobertura às intervenções turcas contra as milícias curdas sírias e os três países tentam estabelecer zonas de pacificação na província rebelde de Idlib.

A reunião de hoje é importante porque a guerra na Síria está a entrar numa nova fase. Por um lado, o regime sírio tem consolidado os seus ganhos territoriais, tendo ocupado, há dias, o último enclave rebelde de Ghouta, perto de Damasco. Por outro lado, a Turquia tem conseguido ocupar zonas antes dominadas pelas milícias curdas sírias no norte do país, que Ancara diz estarem associadas ao grupo terrorista separatista curdo PKK. Assim, a Turquia já controla quase 10% do território sírio. A pairar sobre tudo isto está o anúncio feito pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que os EUA poderão retirar-se do conflito.

Esta terça-feira, Erdogan e Putin protagonizaram uma cimeira turco-russa, naquele que foi o nono encontro entre os dois presidentes. Eles falaram, sobretudo, de economia e lançaram a primeira pedra da primeira central nuclear turca que irá ser construída pelos russos na costa do Mediterrâneo. Este é um projecto de 20 mil milhões de euros que estará pronto em 2023 e que cobrirá cerca de 10% das necessidades energéticas da Turquia. Além disso, os dois chefes de Estado confirmaram a venda dos mísseis russos S400 a Ancara, uma medida que está a causar muito desconforto no seio da NATO, a que a Turquia pertence.

Estas cimeiras e reuniões confirmam que a Turquia, a Rússia e o Irão, rivais históricos, democracias musculadas ou teocracias, regimes políticos cada vez mais isolados e em confronto mais ou menos directo com o ocidente, encontram agora pontes e plataformas de colaboração a diferentes níveis.

Oiça aqui a reportagem de José Pedro Tavares, em Ancara.

José Pedro Tavares, Correspondente em Ancara

 

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