Nicarágua

Violentas manifestações contra Ortega na Nicarágua

«Ortega fora» era um dos lemas de manifestações no passado 20 de Abril.
«Ortega fora» era um dos lemas de manifestações no passado 20 de Abril. REUTERS/Juan Carlos Ulate

Ontem à noite, ao fim do quinto dia de violentas manifestações contra o seu projecto de reforma do sistema de aposentações durante as quais 10 a 25 pessoas poderão ter morrido, o Presidente da Nicarágua anunciou o abandono deste polémico projecto.

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"Devemos restabelecer a ordem, não podemos permitir que que se imponham aqui o caos, o crime e as pilhagens" declarou ontem à noite o Presidente Ortega que nos últimos dias tem enfrentado a pior onda de contestação desde que regressou ao poder em 2007, com manifestações que degeneraram em cenas de pilhagens e confrontos com a polícia em vários pontos do país.

De acordo com o Centro Nicaraguano dos Direitos do Homem, 25 pessoas perderam a vida nestas violências, nomeadamente menores e também o jornalista Angel Gahona, 33 anos, morto a tiro em pleno directo televisivo na localidade de Bluefields, na costa caribenha. Este balanço, contudo, não foi confirmado por fontes oficiais cujas últimas informações, datando da passada Sexta-feira, dão conta de 10 mortos.

Esta situação não deixou de suscitar reacções. Os Estados Unidos condenaram "a violência e a força excessiva utilizada pela polícia", a União Europeia apelou "as forças da ordem à contenção" e o Papa Francisco apelou os nicaraguanos a "resolver o conflito pacificamente".

Na génese desta onda de violência esteve o projecto presidencial de reformar o sistema de aposentações. A    ideia era aumentar as contribuições sociais dos trabalhadores mas igualmente das entidades patronais no intuito de reequilibrar o sistema de aposentações. Paralelamente, diminuía-se de 5% o valor das pensões de reforma no intuito de reduzir o défice da segurança social que se eleva actualmente a 76 milhões de Dólares, conforme recomendado pelo FMI.

Num contexto em que se tem reduzido o apoio financeiro da Venezuela, também em plena crise, este novo projecto de reforma cristalizou o descontentamento que tem vindo a aumentar no seio da população. Ortega tem sido acusado de ter progressivamente aumentado o seu controlo sobre as instituições do seu país. No seu dia-a-dia, os habitantes do país assistiram igualmente ao aumento das tarifas da electricidade e do combustível bem como à supressão de postos de trabalho no sector público.

Daí que para certos sectores de opinião, nomeadamente entre os estudantes -muito mobilizado- mas também o Conselho Superior do Sector Privado, entidade que até agora apoiava o executivo, o abandono do projecto de reforma do sistema de aposentações não seja considerado o suficiente, uma nova manifestação tendo sido agendada para esta tarde em Manágua, a capital.

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