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Irão

Diplomacia do Irão quer apoio da China contra Trump?

Ministro iraniano dos negócios estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, em Pequim à procura de apoio ao acordo nuclear do Irão
Ministro iraniano dos negócios estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, em Pequim à procura de apoio ao acordo nuclear do Irão youtube
Texto por: João Matos
4 min

O chefe da diplomacia do Irão está, hoje, em Pequim, à procura do apoio da China, ao acordo nuclear iraniano, abandonado pelos Estados Unidos. Donald Trump, prometeu durante a sua campanha que se ganhasse as eleições sairia do acordo nuclear assinado por Obama e cumpriu a sua promessa, posição condenada pela comunidade internacional.

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O ministro dos Negócios estrangeiros do Irão, Mohammad Javad Zarif, iniciou, hoje, em Pequim, um périplo, que o levará depois a Moscovo e a Bruxelas, com o objectivo de encontrar apoios ao acordo nuclear iraniano, do qual os Estados Unidos, acabam de sair, com Trump, a cumprir uma promessa de campanha.

O Irão mostra-se assim determinado a manter o seu acordo nuclear que assinou com os Estados Unidos, a Rússia, a França, a Alemanha, a China e o Reino Unido.

Todos os países signatários, condenaram a saída do acordo dos Estados Unidos, mas foram incapazes de defender junto do presidente americano, Trump, uma proposta colectiva crível, que substituísse, o acordo assinado pelo ex-presidente americano, Obama, criticado pelo actual chefe da Casa Branca, que sempre declarou ser um tal acordo desastroso para os americanos. 

Irão sempre recusou qualquer modificação ao acordo 

Do seu lado, o poder político no Irão, sempre recusou qualquer alteração ao acordo, que chegou a ser equacionada, pelo próprio, presidente francês, Emmanuel Macron, na sua recente visita aos Estados Unidos, ou pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. 

O Irão, que assinou o acordo nuclear e continuou a desenvolver o seu programa para ter a bomba atómica, para além de dispor de mísseis intercontinentais, que não figuram no acordo, reafirmou, que vai retomar o enriquecimento do seu urânio.

Só que Donald Trump, avisou ao Irão que sempre pode tentar retomar o seu programa de enriquecimento do urânio, mas será impedido por todos os meios de conseguir armas nucleares.

Estamos, portanto, perante duas posições extremadas, a dos Estados Unidos de Trump e a do Irão do presidente Rohani, criticado aliás pelo chefe supremo religioso iraniano, Khamenei e os conservadores iranianos que sempre foram contra o acordo.

Posições que suscitaram pelo menos duas outras mais equilibradas, a do presidente Macron e a do secretário geral da ONU, Guterres. Mas apenas por questões tácticas porque depois de defenderem uma certa flexibilidade do acordo, agora, condenam a posição de Trump.

Estados Unidos, superpotência mundial

Ora bem, o Presidente americano, Donald Trump, apoia-se na superpotência dos Estados Unidos e na defesa dos interesses americanos, para impor suas posições ao mundo multilateral e desunido, sem poderio de força para o contrabalançar.

Logo, não meras gesticulações, quando o chefe da diplomacia do Irão, Zarif, tuíta, antes de partir para Pequim, o comunicado do governo, condenando a "administração extremista" de Trump, por ter abandonado "um acordo reconhecido como uma vitória da comunidade internacional".

A comunidade internacional, não existe como afirma um grande professor francês de direito internacional, Charles Zorgbibe, pois, depende da vontade e dos interesses dos países que a formam. Basta um membro permanente do conselho de segurança da ONU, fazer uso do seu direito de veto, para  tudo ficar bloqueado.

Os tratados internacionais, são rubricados por estados soberanos, e podem ser revistos, como qualquer acto jurídico e político dos signatários.

O Irão, pode pedir ajuda à China, mas as autoridades chinesas, defenderão, como os Estados Unidos, os seus interesses, que podem coincidir ou não com os de Teerão.

Em Política Internacional, não há amigos, mas interesses e vontade de potência, quer dizer o país com mais poder militar, económico, político e diplomático, imporá sempre a sua força aos mais fracos, que, ainda, por cima, nunca estão unidos.

A ONU, é a primeira organização mundial, mas não tem poder militar e de decisão próprios, dependendo dos países membros, e paradoxalmente, são os Estados Unidos, o seu primeiro financiador e não o Irão, a China ou a Rússia.

Que alternativa mundial ao poder dos Estados Unidos? 

Os Estados Unidos, criaram a Sociedade das Nações, e quando viram que as suas posições estavam a ser contrariadas por outros membros, rasgaram o tratado e criaram a ONU, impondo as suas regras aos outros membros.

Conclusão: o novo presidente americano, Donald Trump, é um nacionalista que defende a soberania dos Estados Unidos e a sua "America First", América em primeiro lugar, acima da ONU, do multilateralismo e dos outros países.

Donald Trump, foi mais longe, no seu discurso, na ONU, quando convidou os outros países a defenderem igualmente a soberania dos seus povos.

Estamos perante uma questão complexa, pois, os Estados Unidos impoem a sua força, os outros países e a ONU condenam, mas, na prática, não há qualquer consequência penalizando a superpotência americana.

Uma alternativa seria a China, a Rússia, o Irão e todos os países interessados, criarem as suas próprias instituições internacionais, a sua própria ONU, com poderes de força para contrablançar o poderio americano.

Se isso fosse possível, já não estaríamos, nesta postura de os Estados Unidos ditarem a sua lei e os outros países, limitarem-se apenas a condenar !

Irão defende em Pequim, Moscovo e Bruxelas o acordo nuclear iraniano

 

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