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Estados Unidos

Trump ainda não apagou a polémica

Trump durante uma reunião no 20 de Junho sobre a sua política de imigração.
Trump durante uma reunião no 20 de Junho sobre a sua política de imigração. REUTERS/Leah Millis
Texto por: Liliana Henriques
2 min

Donald Trump continua a tentar estancar na confusão a polémica mundial provocada pela sua política migratória que levou à separação de 2342 crianças dos seus pais migrantes entre 5 de Maio e 9 de Junho, logo à chegada aos Estados Unidos. Na ausência de consenso politico entre os parlamentares republicanos sobre a reforma da política de imigração, um voto previsto hoje no congresso, foi adiado para a semana que vem, o Presidente Trump tendo entretanto apelado o seu campo a suspender as suas iniciativas sobre esta questão.

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"Os republicanos deveriam deixar de perder o seu tempo com a imigração até que sejam eleitos mais senadores e representantes em Novembro" escreveu no Twitter o Presidente americano de olhos postos nas eleições de meio-mandato em que está em jogo a sua margem de manobra em ambas as câmaras parlamentares, onde os republicanos são maioritários.

Ainda ontem, os republicanos estiveram a tentar desfazer o novelo da reforma nada consensual que Trump pretende fazer passar relativamente à imigração. Para além do financiamento do famoso muro junto à fronteira com o México e uma nítida redução da imigração legal, o Presidente pretende que se encontre uma solução para os chamados "dreamers" -clandestinos chegados aos Estados unidos quando eram menores- e quer igualmente manter o seu decreto de Quarta-feira, ou seja não separar mais as crianças dos pais migrantes, mas sim mantê-los detidos juntamente com os pais durante todo o processo de análise do seu dossier.

Ora, isto não deixa de levantar problemas legais, a jurisprudência americana proibindo esse caso de figura. Neste sentido, uma dezena de estados americanos, entre os quais Washington, Califórnia e New Jersey, anunciaram que vão processar a administração Trump pela sua política migratória. No exterior, o incêndio também continua: ao apelar os Estados Unidos a reformarem completamente a sua política, a ONU considerou que "não se podem separar as crianças dos pais, mas também não podem ser mantidas em detenção".

Outro sinal da confusão reinante, o Pentágono referiu ter recebido ordens para se preparar a acolher nas suas bases até 20 mil filhos de migrantes não acompanhados. Por outro lado, Trump reclamou que sejam reunidos os pais e os filhos que foram separados nas últimas semanas, uma tarefa que se anuncia difícil, uma vez que o próprio executivo reconhece ter perdido o rasto de cerca de 1500, certos jornais americanos indicando contudo que devido à política de "tolerância zero" seriam mais de 6000 as crianças "perdidas".

Neste contexto, nem mesmo a visita surpresa da primeira-dama americana ontem num refúgio para menores clandestinos no Texas conseguiu apagar a polémica. O que ficou dos agradecimentos que fez aos trabalhadores sociais e do seu encontro com as crianças, foi a controvérsia em torno da mensagem escrita no casaco que tinham vestido "não me importo nada com isso... E você?".

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