Portugal

A obra de Agustina Bessa-Luís "não morre hoje"

Foto de arquivo de 25 Janeiro 2015 de Agustina Bessa-Luís. A escritora morreu esta segunda-feira, no Porto, aos 96 anos.
Foto de arquivo de 25 Janeiro 2015 de Agustina Bessa-Luís. A escritora morreu esta segunda-feira, no Porto, aos 96 anos. JOAO RELVAS/ LUSA

A escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís morreu esta segunda-feira, no Porto, aos 96 anos. Isabel Rio-Novo, autora de uma biografia sobre ela, diz que a sua obra "não morre hoje" e que vai continuar "a ser lida e apreciada seguramente daqui por cem ou duzentos anos".

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A escritora Agustina Bessa-Luís morreu, esta segunda-feira, no Porto, 96 anos, e o funeral realiza-se, esta terça-feira, também no Porto. O governo, por indicação do primeiro-ministro, António Costa, decretou, para terça-feira, um dia de luto nacional pela morte da escritora.

Isabel Rio-Novo, autora da biografia "O Poço e a Estrada" sobre Agustina Bessa-Luís, considera que a "obra extraordinária" da autora "não morre hoje" e "continuará a ser lida e apreciada seguramente daqui por cem ou duzentos anos". A escritora descreve "uma obra inqualificável, extremamente prolífica, de uma forma de escrita e de uma forma de compreensão e de indagação da natureza humana absolutamente única no contexto da literatura portuguesa e mundial".

Oiça aqui a declaração de Isabel Rio-Novo registada pela agência Lusa.

Isabel Rio-Novo, biógrafa de Agustina Bessa-Luís

Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa-Luís nasceu em 15 de Outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante. Estreou-se literariamente em 1948, com a novela “Mundo Fechado”, publicou “Os Super Homens” (1950) e “Contos Impopulares” (1951). Em 1951, venceu os Jogos Florais do Minho com o conto “Civilidade”, ao qual concorreu usando como pseudónimo o nome do seu marido, o advogado Alberto Oliveira Luís.

Em 1954, a escritora saltou para a ribalta literária com o romance “A Sibila”, conquistando os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz.

Em 1983, com "Os Meninos de Ouro", venceu o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, um galardão que voltou a receber em 2001, com "O Princípio da Incerteza I - Joia de Família".

A escritora foi, ainda, distinguida pela totalidade da sua obra com o Prémio Adelaide Ristori, do Centro Cultural Italiano de Roma, em 1975, e o Prémio Eduardo Lourenço, em 2015. Na lista de prémios, incluem-se, também, os Prémios Camões e Vergílio Ferreira, ambos em 2004, e o Prémio de Literatura do Festival Grinzane Cinema, em 2005.

Foi condecorada como Grande Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, de Portugal, em 1981, elevada a Grã-Cruz em 2006, e o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, de França, em 1989, tendo recebido a Medalha de Honra da Cidade do Porto em 1988.

Agustina Bessa-Luís publicou ficção, ensaios, teatro, crónicas, memórias, biografias e livros para crianças, e está traduzida em várias línguas europeias, do castelhano ao grego, e "A Sibila", que já vai na 31.ª edição, é hoje considerado um dos clássicos da literatura portuguesa do século XX.

A sua bibliografia inclui títulos como "Os Incuráveis", “A Muralha”, "Ternos Guerreiros", "O Sermão do Fogo", "A Dança das Espadas", "As Pessoas Felizes", "Santo António", "O Concerto dos Flamengos", "Ternos Guerreiros", "A Dança das Espadas", "As Pessoas Felizes", "Crónica do Cruzado Osb", "A Brusca", "Aquário e sagitário", "Doidos e Amantes", e os três volumes de "O Princípio da Incerteza", entre outros.

O último romance que publicou, "A Ronda da Noite", saiu em setembro de 2006.

Várias obras suas foram adaptadas ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, “Fanny Owen” (1981, adaptado para “Francisca”), “Vale Abraão” (1993), “As Terras do Risco” (1995, adaptado para “O Convento”) e “O Princípio da Incerteza” (2002).

Escreveu ainda os diálogos de “Party” (1996), a partir da sua peça de teatro “Party: Garden-Party dos Açores”, e o seu conto “A Mãe de Um Rio”, faz parte da película “Inquietude” (1998). Também o realizador João Botelho adaptou, em 2009, “A Corte do Norte”.

Entre as peças, é autora d'“A Bela Portuguesa”, levada à cena na Casa da Comédia, em Lisboa, em 1987, numa encenação de Filipe la Féria, que adaptou ao teatro o seu romance “As Fúrias”, em 1995.

A autora era membro da Academia de Ciências de Lisboa, na Classe das Letras, da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres, de Paris, e da Academia Brasileira de Letras.

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