Síria/Turquia

Síria: novos confrontos entre tropas turcas e sírias

Presidentes Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin em Sochi 22/10/2019
Presidentes Recep Tayyip Erdogan e Vladimir Putin em Sochi 22/10/2019 Sergei Chirikov/Pool via REUTERS

Depois do ataque na semana passada, que causou a morte de 8 soldados turcos, esta tarde mais 6 soldados turcos foram mortos pelas forças do regime na zona de Idleb, no noroeste do país, junto à fronteira com a Turquia. Ancara e Moscovo tentam encontrar uma solução, mas no terreno, a Turquia reforçou as suas posições e as tropas de Assad, com o apoio dos russos, continuam a sua progressao em Idleb, onde permanecem os ultimos basti2oes rebeldes e jihadistas.

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Pelo menos seis soldados turcos morreram na tarde desta segunda-feira (10/02) e cinco outros ficaram feridos no noroeste da Síria, depois de forças do regime terem bombardeado com fogo de artilharia o posto militar turco de Taftanaz, na província de Idleb.

Assad respondia assim a uma contra-ofensiva dos rebeldes sírios, apoiados pelas forças turcas, que tentaram na manhã desta segunda-feira (10/02) recuperar alguns dos pontos estratégicos conquistados pelo regime sírio durante o fim de semana, incluindo a estratégica auto-estrada M5, que liga a capital Damasco a Alepo, e que está agora totalmente nas mãos do regime de Bashar al-Assad.

Negociações entre o governo turco e uma delegação russa, que está em Ancara para tentar resolver a situação, terminaram esta segunda-feira sem qualquer acordo.

O presidente turco Reep Tayyip Erdogan tem cada vez menos opções – ou responde e arrisca uma guerra aberta contra o regime sírio, ou retira as suas tropas de Idleb, abrindo o caminho a Bashar al-Assad.

José Pedro Tavares, correspondente em Ancara

Na semana passada oito soldados turcos e um civil já tinham morrido num ataque do regime, que há dois meses iniciou uma operação para tentar reconquistar a última província rebelde, Idleb, no noroeste do país, controlada por uma série de milícias próximas de Ancara.

A Turquia respondeu então com fogo de artilharia pesada e bombardeamentos aéreos, tendo vitimado várias dezenas de soldados de Bashar al-Assad.

Durante os últimos dias mais de mil blindados e outros veículos militares turcos atravessam a fronteira para Idleb.

Ancara quer certamente evitar um novo êxodo de refugiados, dado que mais de 700.000 pessoas deslocadas desde Dezembro, estão empilhadas em condições miseráveis junto à fronteira com a Turquia, que continua fechada, para fugir dos violentos combates.

A Turquia tem 14 postos militares na região, ao abrigo dos acordos de Astana e de Sochi com a Rússia, segundo os quais Moscovo e Ancara deveriam assegurar um cessar fogo intermediando entre as duas partes.

Mas a Rússia acusa a Turquia de não ter conseguido expulsar as milícias jihadistas que controlam partes de Idleb, e tem apoiado Assad nos bombardeamentos sobre a província rebelde, que já provocaram centenas de mortos civis.

Os acontecimentos da semana passada e desta segunda-feira (10/02) representam um perigoso agravamento deste conflito.

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