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Erdogan ordenou à guarda que impeça travessia de migrantes no Egeu

A guarda costeira turca ajuda os migrantes num barco Insuflável depois de uma tentativa de atravessar o Mar Egeu, 6 Março de 2020.
A guarda costeira turca ajuda os migrantes num barco Insuflável depois de uma tentativa de atravessar o Mar Egeu, 6 Março de 2020. REUTERS/Umit Bektas
Texto por: José Pedro Tavares
5 min

A violência continua na fronteira entre a Grécia e a Turquia, e foi particularmente intensa na noite de sexta-feira no posto fronteiriço de Pazarkule/Kastanies, perto da cidade turca de Edirne, quando vários refugiados começaram a cortar o arame farpado  - o posto está totalmente fechado e fortificado, para tentar entrar na Grécia, o que despoletou mais uma salva de gás lacrimogéneo.

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Já hoje, a polícia turca começou a responder na mesma moeda, lançando gás sobre o lado grego – a tensão continua.

Em Lesbos, uma das ilha do mar Egeu onde têm chegado alguns barcos com refugiados depois que Ancara anunciou, há uma semana, que iria abrir as suas fronteiras à passagem de migrantes para a Europa, grupos de vigilantes têm impedido o desembarque dos frágeis barcos de borracha, enquanto staff de ONGs que dão assistência humanitária aos refugiados foram atacados e ameaçados.

No Rio Evros-Meriç, que delimita uma grande parte da fronteira terrestre entre os dois países, um grupo de afegãos que tentava atravessar para a Grécia foi espancado pela polícia grega, despojados dos seus haveres, e repatriado para o lado turco apenas em roupa interior.

No lado turco vários ONGs tentam dar a assistência possível – comida e roupas, aos milhares de pessoas – sírios, mas também muitos afegãos, iranianos, iraquianos, africanos e paquistaneses, que continuam na zona. Todos eles escaparam dos seus países por uma questão ou outra, e estão a viver na Turquia há vários anos, mas ainda assim ambicionam uma nova vida no El Dorado Europeu.

A nível político continua a guerra de palavras. Ontem a reunião extraordinária dos ministros dos Estrangeiros da UE acusou a Turquia de usar a questão dos refugiados como “arma política”, e exprimiu o desejo de continuar a colaboração ao abrigo do acordo que Bruxelas assinou com a Turquia, segundo o qual Ancara impediria a passagem de mais refugiados para a União, contra uma contrapartida financeira de 6 mil milhões de dólares.

Já a Turquia, que alberga 3,7 milhões de sírios, e quase 4,5 milhões de refugiados - é o país do mundo com mais refugiados em termos absolutos, reiterou num comunicado a “hipocrisia da Europa”, e acusou a Grécia de quebrar a lei internacional e de maltratar os refugiados.

Esta segunda-feira o presidente turco Recep Tayyip Erdogan irá a Bruxelas discutir o assunto com os líderes da União Europeia. Mais informação com o nosso correspondente em Ancara, José Pedro Tavares.

Correspondência da Turquia, José Pedro Tavares

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