Líbano

Líbano falha pela 1ª vez o pagamento de parte da sua dívida

O primeiro-ministro libanês Hassan Diab anunciou no sábado passado que o seu país não iria reembolsar uma dívida de 1,2 biliões de dólares cujo pagamento devia ser efectuado até esta segunda-feira.
O primeiro-ministro libanês Hassan Diab anunciou no sábado passado que o seu país não iria reembolsar uma dívida de 1,2 biliões de dólares cujo pagamento devia ser efectuado até esta segunda-feira. Dalati Nohra/Handout via REUTERS

O primeiro-ministro libanês anunciou no Sábado que não iria reembolsar 1,2 biliões de dólares de títulos de dívida que deviam chegar hoje ao prazo-limite. Ao argumentar que o marasmo económico e financeiro é de tal ordem que ele tem de dar prioridade às necessidades básicas da população, Hassan Diab, nomeado em Janeiro em resposta a meses de contestação social no seu país, deu conta da intenção de sanear as finanças públicas e adoptar reformas.

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Com uma dívida de 92 mil milhões de dólares, ou seja cerca de 170% do seu PIB, o Líbano faz parte dos países mais endividados a nível mundial, a ONG Transparency International colocando este país no 137° lugar entre 180 países, no índice de percepção da corrupção.

Desde Outubro do ano passado, além da crise política recorrente vivenciada pelo país, o Líbano tem sido abalado por um movimento social exigindo a reforma total do sistema e a demissão da classe política acusada de incompetência e de corrupção.

Nomeado em Janeiro para fazer frente à crise, o primeiro-ministro Hassan Diab anunciou o primeiro "default" da história do seu país e disse que iria encetar negociações com vista a escalonar o pagamento das suas dívidas.

Sem liquidez para financiar a economia do seu país e sem possibilidade de pedir novos empréstimos, no mês passado, o seu executivo pediu assistência técnica ao Fundo Monetário Internacional para implementar reformas visando restabelecer o crescimento e, neste sentido, Hassan Diab recebeu uma delegação do FMI em Beirute, mas para já nenhum plano de ajuda ficou na ordem do dia.

Apesar de especialistas considerarem que é inevitável optar-se por um plano de salvação semelhante àquele que foi aplicado por exemplo na Argentina, com o seu rol de medidas de austeridade, certos sectores de opinião, designadamente o Hezbollah, não vêem com bons olhos a ideia de o país ficar "sob tutela" externa.

 

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