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Coronavírus

Mundo do Futebol tenta atenuar perdas financeiras com reduções de salários

Os jogadores da Juventus, inclusive o português Cristiano Ronaldo (esquerda), e o treinador italiano Sarri aceitaram reduzir os salários.
Os jogadores da Juventus, inclusive o português Cristiano Ronaldo (esquerda), e o treinador italiano Sarri aceitaram reduzir os salários. © AFP/File
Texto por: Marco Martins
7 min

O mundo do futebol, como qualquer actividade que gera dinheiro e emprega pessoas, começa a sentir os efeitos do confinamento visto que em quase todas as partes do mundo não se pratica futebol e os estádios se encontram vazios. As consequências são perdas de rendimentos.

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Sem jogos de futebol, não há direitos televisivos, não há bilheteira, não há vendas de produtos derivados como ‘goodies’ ou camisolas, o que significa uma grande perda de rendimentos, enquanto os salários dos jogadores e dos funcionários têm de ser pagos. A solução? Reduzir os salários ou que todos os jogadores passem em situação de ‘lay-off’.

Juventus vai poupar 90 milhões em quatro meses

O clube italiano da Juventus chegou rapidamente a um acordo com os seus jogadores, inclusive com a estrela portuguesa Cristiano Ronaldo.

Em comunicado a equipa transalpina anunciou que as poupanças efectuadas podem chegar aos 90 milhões de euros nos próximos quatro meses. No entanto se a situação melhorar e se a primeira divisão recomeçar, os salários poderão não ser cortados.

Recorde-se que Cristiano Ronaldo é o jogador mais bem pago do plantel com um ordenado líquido de 31 milhões de euros por ano. Aliás em função da diminuição de receitas provocada pela pandemia de Covid-19, o internacional poderá perder cerca de 10,3 milhões de euros.

Barcelona também corta 70% nos salários

O FC Barcelona é um clube com varias modalidades, entre elas o futebol. Neste período de crise, o clube catalão propôs cortar 70% nos salários dos jogadores e staff técnico de todas as equipas profissionais.

Todas as principais modalidades do clube, o que inclui o andebol, o basquetebol, o futsal e o hóquei em patins, já aceitaram a proposta apresentada, todavia no futebol, os capitães da equipa, entre eles o argentino Lionel Messi, levaram mais tempo a aceitar a proposta, o que gerou uma certa tensão no clube.

Tensão que voltou a acender com um comunicado de Lionel Messi a criticar a direcção do clube: «Da nossa parte chegou o momento de anunciar que, para lá de redução em 70% do nosso salário durante o Estado de Emergência, vamos contribuir para que os empregados do clube possam manter a totalidade do seu salário enquanto dure esta situação. Se não falamos antes foi porque era prioritário para nós encontrar soluções que fossem reais para ajudar o clube, mas também aos restantes prejudicados nesta situação. Não deixa de nos surpreender que desde o clube haja quem tente colocar-nos sob pressão para fazer algo que sempre quisemos fazer. Se demoramos mais foi porque estávamos a tentar encontrar a melhor fórmula para o fazer ajudando o clube e também os trabalhadores. Queremos deixar claro que a nossa vontade sempre foi reduzir o nosso salário, porque entendemos perfeitamente que se trata de uma situação excepcional e somos os primeiros que sempre se prestaram a ajudar o clube sempre que nos pediram. Até o fizemos algumas vezes por iniciativa própria», concluiu o internacional argentino.

O clube vai avançar para este cenário, aplicando um ERTE - Expediente de Regulação Temporal de Emprego -, medida prevista na lei, que poderá provocar cortes nos salários desde 14 de Março.

Espanyol de Barcelona e Atlético Madrid também já anunciaram a aplicação de um ERTE. Quanto ao Real Madrid não considera necessário impor cortes salariais para manter as contas do clube equilibradas, por enquanto.

França em ‘lay-off’

Em França, todos os clubes de futebol passaram em ‘lay-off’, inclusive o Paris Saint-Germain detido por proprietários qataris.

Com esse dispositivo, os clubes apenas têm de 70% dos salários líquidos, e o Estado francês reembolsa 4,5 vezes o rendimento mínimo, num total que pode atingir entre 4 850 e 5 400 euros. Estas economias vão ser realizadas para a viabilização do futuro dos clubes franceses.

Jogadores despedidos na Suíça e Treinadores no Uruguai

O Sion, da primeira divisão suíça, rescindiu o contrato com nove jogadores, por estes recusarem a proposta de ‘lay-off’.

No Uruguai a Federação de Futebol prescindiu de quase todos os seus colaboradores e funcionários, incluindo o treinador da seleção principal, Óscar Tabarez, mandando toda a gente para o desemprego.

Recorde-se que a pandemia de Covid-19 matou mais de 35 mil vítimas mortais e contaminou mais de 738 mil pessoas.

Desporto em dias de lay off

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