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Covid-19: Twitter apagou vídeos de Presidente brasileiro

Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, durante uma conferência de imprensa sobre Covid-19. Brasília, 20 de Março de 2020.
Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, durante uma conferência de imprensa sobre Covid-19. Brasília, 20 de Março de 2020. AFP - SERGIO LIMA

A rede social Twitter bloqueou dois vídeos publicados no perfil do Presidente brasileiro, sobre a visita que Jair Bolsonaro fez este domingo a vários pontos de Brasília, contrariando as recomendações sanitárias para conter o coronavírus. Nos vídeos, o Presidente defendia o fim das medidas de contenção em vigor em muitos estados do Brasil e o uso de cloroquina no tratamento da doença. 

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Mais uma vez, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, foi contra as recomendações do seu próprio ministro da Saúde. Apesar de o ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, ter frisado, no sábado, a necessidade de isolamento social para evitar o avanço da doença, Jair Bolsonaro contrariou as recomendações sanitárias de quarentena no país e passeou pelas localidades de Ceilândia, Sobradinho e Taguatinga, na área metropolitana de Brasília.

Este domingo, gerou concentrações de pessoas ao encontrar-se com comerciantes na periferia de Brasília. O chefe de Estado chegou a dizer que o remédio contra o vírus já é uma realidade : “Eles querem trabalhar. E o que eu tenho falado desde o começo, maior de 65 fica em casa. [...] Aquele remédio lá, hidroxicloroquina, está dando certo em tudo quanto é lugar.”

Três vídeos do passeio foram colocados na conta oficial do Twitter de Jair Bolsonaro, mas a rede social apagou dois. Numa nota enviada aos “media” locais, o Twitter lembrou que recentemente incluiu nos seus critérios de exclusão mensagens que fossem "contra informações de saúde pública direccionadas por fontes oficiais e que poderiam colocar as pessoas em maior risco de transmitir a Covid-19".

O primeiro dos vídeos bloqueados foi na cidade de Taguatinga, em que se via Bolsonaro a conversar com um vendedor ambulante de espetos de carne:  "Eu conversei com as pessoas e elas querem trabalhar. É o que eu disse desde o início. Vamos tomar cuidado, com mais de 65 [anos] deve ficar em casa", disse. O Presidente também defendeu que a cloroquina, um medicamento usado contra a malária e outras doenças, "está funcionando em todos os lugares" contra o novo vírus. Porém, este domingo, o governo do estado da Bahia (nordeste) anunciou a morte por Covid-19 de um homem de 74 anos que havia tomado o medicamento.

No segundo vídeo, num supermercado, Bolsonaro volta a motivar concentrações de pessoas, critica as medidas de isolamento e diz aos jornalistas que "o país fica imune quando 60, 70% forem infectados" e que um remédio contra o novo coronavírus "já é uma realidade".

Apesar do posicionamento do Presidente, os governadores dos Estados decretaram medidas de isolamento social, nomeadamente no Rio de Janeiro, onde as medidas foram prorrogadas por 15 dias, a partir desta segunda-feira.

O número de mortos no Brasil devido ao novo coronavírus, de acordo com o banco de dados da Universidade Johns Hopkins, é de 141, e o número de casos confirmados da doença é de 4.362.

Oiça aqui a reportagem de Pierre Le Duff, correspondente no Brasil.

Pierre Le Duff, correspondente no Brasil

 

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