China

China desmente qualquer "dissimulação" na sua gestão da crise do covid-19

Jovens no dia 14 de Abril nas ruas de Wuhan foi o epicentro da epidemia na China.
Jovens no dia 14 de Abril nas ruas de Wuhan foi o epicentro da epidemia na China. REUTERS/Aly Song

A China desmentiu as acusações de dissimulação proferidas por países ocidentais no respeitante ao número de vítimas do coronavírus no seu território mas corrigiu os dados, somando 1290 mortos suplementares, elevando o balanço total a 4632 óbitos provocados pelo covid 19.

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Desde o seu surgimento no passado mês de Dezembro na China, o coronavírus infectou mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo e causou mais de 150 mil mortos. Uma situação inédita perante a qual alguns países, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França têm colocado em questão a gestão e a transparência da China em relação à génese do que se tornou uma pandemia.

Ontem, por exemplo, em entrevista ao jornal britânico "Financial Times", o presidente Macron afirmou que "houve manifestamente coisas que se passaram de que não se tem conhecimento".

"Nunca houve dissimulação e nunca autorizaremos nenhuma dissimulação " retorquiu Pequim ao qualificar de "irrepreensível" a sua resposta ao covid-19, muito embora admita que houve "atrasos" e "omissões" no registo dos óbitos, isto no preciso momento em que a administração de Wuhan, primeiro epicentro da epidemia, juntou ao seu balanço oficial 1290 mortos suplementares que alegadamente não tinham sido contabilizados até ao momento por serem pessoas que tinham falecido em casa e não no hospital.

Apesar do balanço chinês ter aumentado para 4632 mortos, estes novos dados não convenceram o presidente Trump que afirmou hoje que "o número de óbitos na China é bem mais elevado".

Donald Trump também tem formulado dúvidas sobre a origem do vírus, o presidente americano e meios de comunicação social próximos das suas posições, tais como a Fox News, tendo apontado o dedo sobre um laboratório de virologia situado nas imediações de Wuhan, subentendendo que o vírus poderia ter partido desta unidade de pesquisa científica concebida com o apoio da França.

Há dias, o secretário de estado Mike Pompeo evocou uma "investigação" sobre o assunto, sem contudo fornecer elementos tangíveis. A Presidência francês entretanto hoje indicou desde já não ter em mãos "nenhum elemento factual" que possa estabelecer um elo entre a doença e o referido laboratório de Wuhan.

 

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