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Chile/Covid-19/Fome

Chile/Covid-19: polícia reprime revoltas de fome nos arredores de Santiago

Soldado chileno controla viaturas em  Santiago, onde foi decretado o confinamento total a partir de 16 de Maio de 2020.
Soldado chileno controla viaturas em Santiago, onde foi decretado o confinamento total a partir de 16 de Maio de 2020. Martin BERNETTI / AFP
Texto por: Isabel Pinto Machado com AFP
4 min

Pelo menos 21 pessoas foram detidas esta segunda-feira, em El Bosque, subúrbio pobre da capital Santiago, após confrontos com a polícia, durante manifestações de protesto contra o aumento da penúria alimentar, desafiando o confinamento devido à pandemia de Covid-19.

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Esta segunda-feira (18/05) a população desafiou o governo e saiu à rua, cortando o trânsito em várias ruas de El Bosque,nos arredores sul de Santiago do Chile incendiando barricadas e gritando slogans anti governo, reclamando comida e empregos.

A polícia reagiu e durante várias horas disparou gazes lacrimogéneos e utilisou canhões de água, para dispersar os manifestantes, tendo detido pelo menos 21 dentre eles, que ripostaram com paus e pedras.

Depois do parlamento o ter decretado na quarta-feira (13/05) o Presidente Sebastian Piñera proclamou na noite de sexta-feira (15/05) o confinamento total ou "lockdown", o que significa quarentena obrigatória para os cerca de 8 milhões de habitantes da região da capital Santiago, que concentra 80% dos mais de 46.000 casos de Covid-19, que já matou 478 pessoas no Chile.

No Chile, depois de adoptada uma estratégia de quarentenas selectivas e estratégicas e não do confinamento nacional - como a Argentina ou a Colômbia - a partir de Maio o Presidente Piñera anunciou uma "nova normalidade" e um "retorno seguro" após o pico de infecções, com uma taxa diária de entre 400 e 500 infecções por dia, mas a partir de então os casos dispararam.

A actividade económica está praticamente paralisada há meses no Chile e desde Outubro com a subida dos bilhetes de acesso ao metropolitano, a agitação social é crescente e sucedem-se as manifestações contra o desemprego galopante, a carestia de vida e a falta de bens de primeira necessidade, para a grande maioria dos 18 milhões de chilenos.

O edil de El bosque, Sadi Melo, publicou um comunicado, denunciando a deterioração da "qualidade de vida dos habitantes" e a falta de consideração por parte do poder central em relação às camadas mais pobres da população.

No domingo (17/05) o Presidente Sebastian Piñera anunciou cinco medidas de apoio aos mais desfavorecidos e vulnerávei, incluindo a distribuição de dois milhões e meio de cabazes de ajuda alimentar de emergência, destinados aos cidadãos mais pobres do país.

O Chile está em estado de emergência desde meados de Março, com um toque de recolher obrigatório a partir das 22:00, com escolas, universidades e fronteiras fechadas, bem como a maioria das empresas não essenciais.

 

 

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