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OMS/Covid-19/Guerra fria

OMS/Covid-19: guerra diplomática entre os Estados Unidos e a China

Donald Trump e o seu homólogo chinês Xi Jinping no inicio da reunião bilateral, durante a cimeira de dirigentes do G20 em Osaka, no Japão a 29 de Junho de 2019.
Donald Trump e o seu homólogo chinês Xi Jinping no inicio da reunião bilateral, durante a cimeira de dirigentes do G20 em Osaka, no Japão a 29 de Junho de 2019. REUTERS/Kevin Lamarque
Texto por: Isabel Pinto Machado com AFP
5 min

Como previsto, as duas maiores potências mundiais entraram em conflito na Assembleia Geral da OMS, com Pequim a reiterar o seu papel exemplar na luta contra a pandemia de Covid-19 e Washington a acusar este país de ter mentido, reiterando a ameaça de suspender os cerca de 450 milhões de dólares de quotas anuais à organização.

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O Presidente Xi Jingping afirmou esta segunda-feira (18/05) no seu discurso por video-conferência na Assembleia Geral da OMS, que a China foi totalmente transparente e responsável na gestão desta crise, "mentira", respondeu o secretário norte-americano da saúde Alex Azar, que acusou a OMS de « falta de transparência, que custou a vida a muitas pessoas ».

Ainda na segunda-feira (18/05) em carta dirigida ao director-geral da OMS, o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, o Presidente Donald Trump reiterou a ameaça de suspender definitivamente a contribuição dos Estados Unidos à OMS - no valor de cerca de 450 milhões de dólares anuais, o equivalente a 15% do seu orçamento – e mesmo retirar o país da organização, se nos próximos 30 dias a OMS não proceder a «melhorias» significativas na sua acção e acusou ainda a OMS de «ser uma marioneta da China».

Em Abril último o Presidente Donald Trump suspendeu temporariamente a contribuição dos Estados Unidos à OMS, acusando a organização de conivência com a China, que esta segunda-feira (18/05) prometeu alocar 2 mil milhões de dólares suplementares à Organização Mundial de Saúde nos próximos dois anos.

Os 194 países membros da OMS, entre os quais os Estados Unidos e a China, adoptaram por consenso esta terça-feira (19/05) uma resolução que prevê uma "avaliação, imparcial, independente e completa"da acção internacional coordenada pela OMS em resposta à pandemmia d Covid-19, no intuito de "melhorar as capacidades mundiais de prevenção, preparação e risposta face às pandemias", mas apenas "em tempo oportuno", como aliás exigia a China, ou seja só depois de travada a pandemia. 

A Assembleia Geral da OMS poderia no entanto adoptar ainda esta terça-feira, no término da reunião virtual de chefes de Estado e de governo, uma resolução inédita para declarar os futuros tratamentos ou vacinas contra o novo coronavírus como bens públicos mundiais, o que significa acessíveis a todos.

Á margem e em comunicado o chefe da diplomacia norte-americana Mike Pompeo, condenou ainda a exclusão de Taiwan da Assembleia Geral da OMS desde 2006, depois dos 194 países membros terem decidido adiar os debates sobre a participação da ilha como país observador, como reclamado por Washington e cerca de outros 15 países.

Taiwan foi excluido de país observador da OMS em 2006 sob pressão chinesa, por recusar reconhecer o princípio da unidade da ilha face à China Continental.

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