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Taiwan/China

Taiwan: Presidente toma posse e reitera rejeição da fórmula "um país dois sistemas"

Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen delivers na cerimónia de tomada de posse para o seu segundo mandato a 20 de Maio de 2020 em Taipé.
Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen delivers na cerimónia de tomada de posse para o seu segundo mandato a 20 de Maio de 2020 em Taipé. VIA REUTERS - TAIWAN PRESIDENTIAL OFFICE
Texto por: Isabel Pinto Machado com AFP
7 min

A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen tomou posse esta quarta-feira para um segundo mandato e apelou à "coexistência e diálogo" com a China, refutando o conceito "dois países um sistema" proposto pela China, que reitera nunca tolerará a separação dos dois territórios.

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 No seu discurso de tomada de posse esta quarta-feira (20/05) em Taipé a Presidente Tsai Ing-Wen de 63 anos de idade, exigiu um tratamento de igualdade nas relações com a China e rejeitou que o estatuto de Taiwan seja rebaixado por Pequim, propondo diálogo, para que seja encontrada uma solução de coexistência pacífica entre os dois Estados e convidou o Presidente chinês Xi Jingping a trabalhar em conjunto para reduzir as tensões.

Reeleita em Janeiro de 2020 para um segundo mandato presidencial de quatro anos pelo Partido Democrático Progressista - pró-independência de Taiwan - depois da repressão dos protestos pró-democracia em Hong Kong terem reforçado a opinião pública da ilha contra a reunificação com a China, a Presidente Tsai defendeu no seu discurso, que as relações com Pequim atingiram “um ponto de viragem histórico”.

"A paz, igualdade, democracia e diálogo” devem ser a prioridade nos contactos entre os dois países, que "devem encontrar um meio de coexistência a longo prazo e impedir que o antagonismo e as divergências se agravem" defendeu a Presidente Tsai.

Não aceitaremos o uso da fórmula ‘um país, dois sistemas’ por parte das autoridades de Pequim, para rebaixar Taiwan e prejudicar as relações entre os dois Estados", disse Tsai.

Pequim por sua vez reitera que "nunca tolerará uma acção separatista" do território chinês e ameaça afirmando "temos uma determinação inabalável, confiança total e todas as capacidades para defender a soberania nacional e a integridade territorial”, afirmou Ma Xiaoguang, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, em comunicado.

O conceito "um país, dois sistemas" foi aplicada em Macau e Hong Kong, após a transferência dos dois territórios para a China, por Portugal e pelo Reino Unido, respectivamente e garante às duas regiões um elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário.

Tsai Ing-wen reiterou a sua proposta de diálogo com Pequim e convidou o Presidente chinês, Xi Jinping, a trabalhar com Taiwan para reduzir as tensões.

Pequim por sua vez, reitera a rejeição de admitir Taiwan como uma entidade política soberana e ameaça usar a força para reunificar o território, se necessário.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês do Kuomitang, liderado por Tchang Kaï-chek se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil face aos comunistas, liderados por Mao Tsé-Tung.

Taiwan, que se auto designa República da China, tornou-se, entretanto, numa democracia com uma forte influência da sociedade civil, mas Pequim considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação pela força.

Pequim critica qualquer relação oficial entre países estrangeiros e Taipé, trocas que considera um apoio ao separatismo de Taiwan.

Os Estados Unidos que são o maior fornecedor de armas e apoio militar a Taiwan, anunciaram esta quarta-feira (20/05) a venda de 18 torpedos pesados MK-48 a Taiwan, no valor de 180 milhões de dólares, para "manter a estabilidade política, o equilíbrio de forças e o progresso económico da região”, defendeu o Departamento de Estado norte-americano, que considera uma prioridade estratégica combater o aumento da influência de Pequim na região.

Os Estados Unidos defendem ainda a participação de Taiwan em reuniões de organizações internacionais, sendo que por pressão da China, Taiwan foi banida da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial de Saúde  - OMS - onde desde 2006 perdeu o estatuto de observador.

No entanto, a resposta de Taiwan ao surto da Covid-19 é considerada exemplar, com apenas 400 casos de contaminação e 7 óbitos, apesar da proximidade com a China continental, o que fez qom que a ilha se afirmáse como um dos territórios que melhor preveniu a pandemia, felicitou-se esta quarta-feira a Presidente Tsai Ing-wen, numa cerimónia à qual os seus apoiantes não se deslocaram, por razões sanitárias e a seu pedido e cujos escassos convidados respeitaram o distanciamento social.

Antes da tomada de posse da Presidente, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, felicitou a sua “coragem e visão”, considerando a democracia de Taiwan “uma inspiração para a região e o mundo”.

O apoio dos Estados Unidos surge numa altura de escalada de tensões entre Washington e Pequim, sobre a gestão da pandemia do novo coronavírus.

Segundo uma sondagem do instituto norte-americano Pew Research Center, divulgada na semana passada, 66% dos residentes da ilha consideram-se taiwaneses, 28% taiwaneses e chineses e 4% como apenas chineses.

A rejeição da identidade chinesa é ainda mais clara entre os jovens com menos de 30 anos, com 83% dos inquiridos a responder que não se consideram chineses.

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