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Nordeste da Índia e Bangladesh devastadas pelo ciclone Amphan

O ciclone Amphan devasttou na quarta-feira, 20 de Maio, o sul da cidade de Calcutá, imagem em  Kolkata.
O ciclone Amphan devasttou na quarta-feira, 20 de Maio, o sul da cidade de Calcutá, imagem em Kolkata. REUTERS
Texto por: Isabel Pinto Machado com AFP
5 min

O ciclone Amphan, o mais violento do século XXI no Golfo de Bengala, devastou entre 20 e 21 de Maio, a cidade de Calcutá, na Índia e parte do Bangladesh, com ventos superiores a 190 kms/hora, chuvas torrenciais e inundações, que causaram pelo menos 84 mortos.

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O ciclone Amphan atingiu a terra firme na quarta-feira (20/05) e o "olho está sobre a ilha de Sagar, localizada no estuário do rio Hoogly, a cerca de 100 quilómetros a sul de Calcutá", disse director do centro meteorológico regional, Sanjib Banerjee.

Chuvas torrenciais e ventos fortes devastaram na quarta-feira (20/05) o sul de Calcutá, a capital do estado de Bengala Ocidental, uma megalópole com 15 milhões de habitantes, no nordeste da Índia, onde mais de 3 milhões de pessoas foram evacuadas deforma preventiva.

O cenário esta quinta-feira (21/05) é de milhares de árvores arrancadas, culturas destruídas, centenas de aldeias inundadas, telecomunicações interrompidas e escuridão, devido ao corte da electricidade efectuado preventivamente pelos fornecedores, para evitar acidentes, o que dificulta a contabilisação das vítimas.

Segundo um balanço oficial muito provisório apresentado esta quinta-feira (21/05) pelos dois países, na Índia morreram 72 pessoas, das quais 15 em Calcutá e no Bangladesh morreram pelo menos 12 pessoas.

Foram desvastadas vastas zonas nos dois países, mas os ventos acalmaram na manhã desta quinta-feira e o ciclone Amphan passou a depressão tropical, com ventos de cerca de 50kms/hora, segundo os serviços indianos de meteorologia.

Mas os danos, consideráveis, são ainda difíceis de avaliar.

As pessoas estão a ser encaminhadas para abrigos anticiclones - 13 mil no Bangladesh - construídos na sequência dos ciclones dos últimos anos, que devastaram alguns países da região, que desenvolveram medidas políticas de evacuação rápida das populações, mas a pandemia de Covid-19 complica tudo. 

O uso de máscaras e o distanciamento social é teoricamente obrigatório nos abrigos, mas estas não existem em número suficente e as populações afectadas hesitam entre morrer contaminadas pela Covid-19 nos abrigos ou morrer nas suas casas.

O ciclone Amphan provocou ondas até três metros de altura, que submergeram uma parte do litoral e inundaram dezenas de aldeias nestes dois países, que se debatem também contra a pandemia de Covid-19, com regras de confinamento em vigor em ambos para evitar a propagação do coronavírus.

A  Índia registava no inicio desta semana 80.000 casos de Covid-19 e 2.872 mortos e o Bangladesh 20.065 infecções e 298 mortos, enquanto a UNICEF alerta para o facto de o ciclone Amphan pôr em perigo 19 milhões de crianças nestes dois países.

O poderoso ciclone Amphan já tinha provocado uma morte antes de atingir terra, quando um barco da organização não governamental Crescente Vermelho que estava a ajudar a retirar moradores da cidade costeira de Kalapara, no Bangladesh, naufragou devido às rajadas de vento

O Bangladesh abrigou 1,5 milhões de pessoas, designadamente mais de 850.000 refugiados muçulmanos rohingyas, fugidos da antiga Birmânia - tendo colocado preventivamente na semana passada cerca de 300 deles numa ilha prisão no Golfo de Bengala, ameaçada de sumersão, para onde pretende ainda transferir 100.000 exilados.

O Amphan foi classificado na segunda-feira 18/05) na categoria 4 (em 5) na escala Saffir-Simpson, com ventos entre 200 e 240 quilómetros por hora, e é o ciclone mais violento a formar-se no Golfo de Bengala desde 1999, quando um ciclone matou 10 mil pessoas em Odisha.

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