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Artes

Nuno Lopes, a revelação da nova série da Netflix

Áudio 11:36
Nuno Lopes, na série "White Lines"
Nuno Lopes, na série "White Lines" © Nick Wall, "White Lines", Netflix
Por: Carina Branco
28 min

O actor Nuno Lopes é um dos que mais tem sido acarinhado pelo público na nova série da Netflix, “White Lines”. O português pôde dar um "cunho pessoal" ao seu personagem, um chefe de segurança corpulento que discretamente gosta de Rimbaud, Jean-Luc Godard e vinho português. Habituado a filmes de autor, Nuno Lopes mergulhou numa mega-produção da Netflix e diz que o retorno tem sido “muito positivo”. Quando a série estreou, Nuno Lopes estava em Portugal a denunciar a falta de apoios para a cultura no país e continua a alertar que “há artistas a passar fome em Portugal”.

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A série “White Lines”, criada por Alex Pina, o autor de “La Casa de Papel”, estreou a 15 de Maio, na Netflix e tem sido uma das mais vistas em todo o mundo. “White Lines” conta a história de Zoe que descobre que o irmão, um DJ de Manchester, foi assassinado há 20 anos quando vivia em Ibiza. A bibliotecária oriunda de uma cidade cinzenta parte, então, para Ibiza em busca da verdade, tendo como cenários as praias, a música e um submundo de drogas, orgias e segredos.

O actor português Nuno Lopes interpreta um dos personagens principais, Boxer, um chefe de segurança de uma família poderosa em Ibiza, que lê Rimbaud, vê filmes de Godard e pinta. Houve um toque pessoal do Nuno Lopes? “Sim, claro.”

Foi tudo discutido com a produção e dei toques pessoais, desde o look do personagem até à maneira como interage e houve muitas coisas que fui alterando. As pessoas foram tendo a generosidade de me deixar alterar coisas, de me deixar dar o meu cunho pessoal ao personagem”, conta o também protagonista de "São Jorge" e "Alice" de Marco Martins.

Quanto à preparação, o facto de ser DJ há mais de 15 anos “ajudou bastante por conhecer muito bem o mundo da noite”. Depois, “houve uma preparação física enorme” e também aulas intensivas de castelhano e inglês ao longo das rodagens. “Quando começas a pensar noutra língua, há coisas que mudam em ti e isso ajudou-me bastante a encontrar o Boxer.”

Nuno Lopes acabou por ser a grande revelação da série para um público "mainstream" internacional que não o conhecia. Um artigo do Daily Mail juntou reacções de fãs e uma diz: “Um novo ícone nasceu. Boxer de ‘White Lines’, o guerreiro filósofo e o ‘bad boy’ que é o sonho de qualquer mulher”. Habituado a filmes de autor, Nuno Lopes mergulhou na mega-produção e diz que o retorno tem sido “muito positivo”.

O retorno tem sido gigante. Eu tenho sempre muita dificuldade em lidar com este tipo de coisas mas apesar de tudo é muito positivo porque significa que as pessoas se apaixonaram pelo personagem e eu tomo isso como um elogio, não um elogio pessoal porque eu não sou o homem que todas as mulheres querem mas no sentido em que construí um personagem que todas as mulheres querem e que era o personagem que já estava escrito pelo Alex Pina. Sinto-me satisfeito porque acho que, pelos vistos, consegui passar a ideia que eu tinha ao ler o guião do Boxer para as pessoas”, conta.

Depois de “White Lines” começaram a surgir alguns convites internacionais de maior escala sobre os quais não pode falar até porque ainda não sabe se vai haver segunda temporada da série.  O que sabe, por enquanto, é que, em breve, vai rodar um filme francês em Marselha e, em Outubro, deve retomar o novo trabalho de Marco Martins que ficou suspenso com a Covid-19.

Em Portugal, desde o confinamento o actor arregaçou as mangas para se juntar ao movimento de alerta contra a precariedade dos artistas em Portugal. Uma luta que abraçou porque “há artistas a passar fome no país”.

Estamos a lutar por direitos básicos como o subsídio de desemprego que são direitos que qualquer pessoa tem na sociedade em geral, menos os artistas. Nós já temos muito pouco apoio para a cultura em Portugal e o facto de não termos sequer o estatuto de intermitente torna esta profissão precária sempre. Quando acontecem momentos de crise e o governo não se chega à frente para ajudar uma profissão que já é precária, o resultado é miserável. O que está a acontecer em Portugal, neste momento, é que há artistas a passar fome, não vemos qualquer hipótese da cultura retomar com uma boa perspectiva de futuro e estamos numa situação mesmo muito má graças à Covid e graças à resposta deste governo.”

Uma entrevista que pode ouvir, na íntegra, neste programa ARTES.

Artes Entrevista Nuno Lopes

 

 

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