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Turquia

Turquia persegue curdos no Iraque

Roças armadas turcas. Imagem de Ilustração.
Roças armadas turcas. Imagem de Ilustração. © AFP PHOTO/ILYAS AKENGIN
Texto por: RFI
5 min

Com tropas em acção na Síria e na Líbia, a Turquia abriu esta madrugada uma terceira frente de guerra, quando tropas especiais entraram no norte do Iraque, numa operação contra as bases do Partido dos trabalhadores do Curdistão (PKK, separatista curdo), um grupo que é considerado terrorista por Ancara, mas também pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

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A intervenção terrestre no país vizinho, apelidada de “garra do tigre”, ocorre depois de dois dias de intensos bombardeamentos por parte de jatos turcos nas regiões de Sinjar, Qandil e Hakurk visando os esconderijos do grupo separatista armado.

Ancara realiza regularmente bombardeamentos aéreos contra as bases do PKK no norte do Iraque, mas esta é a primeira grande operação terrestre no país vizinho. Enquanto tropas especiais atravessavam a fronteira comum, vários grupos de comandos foram transportados de helicóptero pelo menos 15 km no interior do país, depois da área ter sido varrida por uma barragem de artilharia. Ancara está também a utilizar drones na operação.

O ministro da defesa turco, Hulusi Akar, defendeu a intervenção depois do PKK “ter atacado diversos postos militares turcos” na fronteira.

Nos últimos dois anos Ancara tem conseguido manter uma presença militar no norte do Iraque, através de acordos com o governo regional curdo, mantendo uma série de pequenas bases militares, mas até agora não conseguiu penetrar nas montanhas Qandil, o quartel-general do PKK. Nos últimos meses Ancara tem utilizado cada vez mais drones na região, e conseguiu eliminar alguns dos líderes do PKK. Esta operação poderá ser uma tentativa para desferir um golpe final ao grupo separatista.

O PKK tem levado a acções de guerrilha contra o Governo turco desde 1984, num conflito que já causou cerca de 40,000 mortos. Depois de duas décadas de quase guerra civil, o atual presidente turco Recep Tayyip Erdogan liderou um processo de apaziguamento que resultou num cessar-fogo. Infelizmente este colapsou em 2015, e o PKK voltou à luta armada desde então, com diversas ações contra polícias e militares turcos, mas também com diversos ataques terroristas em zonas urbanas.

A operação turca provocou logo manifestações de protesto das diversas comunidades curdas espalhadas um pouco por toda a Europa. Há horas, um manifestante curdo tentou entrar no carro do primeiro-ministro britânico Boris Johnson em Londres.

Mais pormenores com o nosso correspondente, José Pedro Tavares.

Correspondência da Turquia 17-06-2020

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