Covid-19

Disparo do número de casos de covid-19 no continente americano

Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecto-contagiosas nos Estados Unidos,, durante a sua audiência perante a Comissão de Energia e Comércio da Câmara de Representantes, neste 23 de Junho de 2020 em Washington.
Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecto-contagiosas nos Estados Unidos,, durante a sua audiência perante a Comissão de Energia e Comércio da Câmara de Representantes, neste 23 de Junho de 2020 em Washington. © REUTERS

O continente americano está a conhecer um aumento substancial do número de casos de coronavírus, em particular os Estados Unidos e o Brasil que são respectivamente o primeiro e segundo países mais atingidos a nível mundial. Actualmente, de acordo com o instituto médico Johns Hopkins, os Estados Unidos contabilizam mais de 2 milhões de casos e ultrapassaram os 121 mil óbitos, sendo que por seu lado o Brasil transpôs o milhão de casos e avizinha os 53 mil mortos devido à covid-19.

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O balanço da epidemia ultrapassou ontem os 100 mil mortos na América Latina e Caraíbas, sendo que mais de metade dos óbitos foram registados no Brasil. Para além deste país, contudo, o Peru com uns 260 mil casos e mais de 8 mil óbitos, o Chile com cerca de 250 mil contaminações e 4500 mortos, assim como o México que registou cerca de 191 mil casos positivos e 23 mil vítimas mortais, também estão a encontrar sérios problemas que peritos atribuem a sistemas de saúde deficientes e a uma pobreza galopante que leva o seu forte contingente de trabalhadores informais a desrespeitar a necessidade de manter o distanciamento físico.

Também considerada preocupante é a situação dos Estados Unidos. Ouvido ontem pela Comissão de Energia e Comércio da Câmara de Representantes em Washington, Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecto-contagiosas, deu conta do aumento vertiginoso do número de casos de coronavírus especialmente nos Estados do sul, como o Arizona, Florida, Texas e Califórnia, ao ponto que os governadores desses dois últimos Estados recomendam à sua população permanecer em casa.

Aquele que tem sido o rosto do combate à covid-19 nos Estados Unidos, julga que a epidemia ainda não está controlada no país e relaciona a subida do número de casos com um desconfinamento que considera ter sido feito sem estratégia de rastreio e monitorização dos casos positivos.

Pouco optimista quanto à eventualidade de se encontrar uma vacina antes de finais de 2021, Anthony Fauci também informou que o ritmo dos testes iria aumentar, contrariando declarações de Donald Trump que em comício em Tulsa no fim-de-semana defendeu a redução do ritmo dos testes, numa lógica de diminuir a identificação de casos. Preconizações que não foram seguidas de um pedido formal neste sentido da Casa Branca, afirmou ontem Fauci.

Também presente na audiência parlamentar, Robert Redfield, director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, declarou que a epidemia colocou «a nação de joelhos» e estimou que o combate à doença poderia custar uns 7 mil milhões de dólares ao país.

Outro efeito económico colateral da epidemia, de acordo com a edição de ontem do New York Times, a reabertura progressiva das fronteiras externas da União Europeia a partir do dia 1 de Julho a países que «tenham controlado a epidemia» poderia excluir o Brasil e os Estados Unidos.

Refira-se que aquando do começo das medidas de confinamento na Europa em Março perante a chegada massiva da epidemia no continente, o Presidente Trump ordenou a suspensão das ligações aéreas entre os Estados Unidos e a Europa.

 

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