França/Turquia/Líbia/NATO

França e Turquia exacerbar de tensões, NATO vítima colateral

Presidentes francês Emmanuel Macron e turco Recep Tayyip Erdogan em Londres a 4 de dezembro de 2019.
Presidentes francês Emmanuel Macron e turco Recep Tayyip Erdogan em Londres a 4 de dezembro de 2019. CHRISTIAN HARTMANN / POOL / AFP

Sobe a tensão entre a Turquia e a França, depois do embaixador turco em Paris ter confirmado esta quarta-feira, um caso de espionagem entre Ancara e Paris, a França suspendeu temporariamente a sua participação na operação da NATO no Mediterrâneo Sea Guardian.

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O embaixador da Turquia em Paris confirmou esta quarta-feira (1/07) alegações proferidas na semana passada por um diário turco próximo da presidência, segundo as quais teria havido um caso de espionagem entre os dois paises. 

Interrogado pela Commissão dos Negócios Estrangeiros e da Defesa do Senado francês, o embaixador turco Ismail Hakki Musa foi o primeiro a evocar oficial e publicamente este caso, num contexto de fortes tensões entre Paris et Ancara.

O embaixador confirmou os factos, mas sem dar detalhes e evocou "um caso que data de há dois anos, tratado de perto e alvo de trocas entre os serviços secretos dos dois países".

No passado dia 22 de junho, o diário pro-governamental turco Sabah afirmava que Metin Ozdemir, um ex-empregado do serviço de segurança do consulado geral de França em Istambul, tinha confessado à polícia ter espiado por ordem da Direcção Geral de Segurança Externa da França - DGSE -  e para tal ter recrutado dois homens, entretanto também detidos.

Paris nunca comentou oficialmente estas alegações e o embaixador da Turquia defende que estas fugas na imprensa turca, "não têm nenhuma relação com a actualidade".

A realidade é que as relações entre a Turquia e a França se deterioram de dia para dia, com Ancara a reclamar esta quinta-feira (2/07) a Paris um pedido oficial de desculpas por alegadas falsas acusações, relativas a um incidente naval ocorrido em junho no Mar Mediterrâneo, entre uma fragata francesa e navios turcos, referindo que o inquérito efectuado pela NATO, organização da qual os dois países são membros, não corrobora a versão de Paris sobre o incidente, reiterou ontem o embaixador turco perante o Senado francês.

Tal sucedeu no quadro da operação Sea Guardian de vigilância e segurança marítima no Mar Mediterrâneo da NATO, quando a fragata francesa tentou comunicar com os navios turcos, que não responderam, sobre o seu porto de destino e assegurar-se de que estes não transportavam armas para a Líbia.

A França que acusa frequentemente a Turquia de violar o embargo de armas à Líbia, suspendeu temporariamente esta quarta-feira (1/07) a sua participação nas manobras da operação Sea Guardian e afirma que só a reintegrará quando "os aliados reafirmarem solenemente o seu compromisso no respeito ao embargo" à Líbia.

Dirigentes franceses e o Presidente Emmanuel Macron, condenam quase quotidianamente a implicação da Turquia no conflito líbio, em apoio ao Governo de União Nacional - GNA - reconhecido internacionalmente, graças ao qual conseguiu fazer recuar severamente as tropas do marechal Khalifa Haftar.

Emmanuel Macron afirmou esta segunda-feira que a Turquia tinha uma "responsabilidade histórica e criminal" no conflito líbio, mas a França denuncia igualmente as foragens turcas de gás ao largo da ilha de Chipre.

 

 

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