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Itália/Ennio Morricone

"Ciao Maestro": Ennio Morricone faleceu aos 91 anos

Compositor italiano Ennio Morricone, autor das músicas de mais de 500 filmes, faleceu em Roma a 6 de julho de 2020
Compositor italiano Ennio Morricone, autor das músicas de mais de 500 filmes, faleceu em Roma a 6 de julho de 2020 AFP/Archivos
7 min

O compositor, produtor e maestro italiano Ennio Morricone, autor de bandas sonoras de mais de 500 filmes e séries televisivas, faleceu na noite de domingo para segunda-feira numa clínica em Roma, onde estava hospitalizado após uma queda, anunciou a agência de imprensa italiana Ansa.

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O italiano Ennio Morricone, foi o compositor das músicas de mais de 500 filmes em 59 anos de carreira, que marcaram a história do cinema e designadamente para os famosos e épicos "westerns" de Sergio Leone.

Em 2007 ele obteve um Óscar pelo conjunto da sua obra e em 2016 o Globo de Ouro da melhor música de filmes para "Os oito odiados" de Quentin Tarantino.

Ennio Morricone compôs entre outros as partituras de seis longas metragens do realizador e seu amigo de infância Sergio Leone : “Por um punhado de dólares” (1964), “Por uns dólares a mais” (1965), "O bom, o mau e o vilão" (1966) “Era uma vez no Oeste” (1958), "Era uma vez a revolução" (1971) ou ainda “Era uma vez na América” (1984), contribuindo para popularizar o estilo, que ficou conhecido como "western spaguetti made in Italy", com guitarras eléctricas, assobios, harpas de boca flautas e trompetes.

Ennio Morricone torna-se famoso no mundo da sétima arte e foi chamado a colaborar entre outros com os realizadores italianos Sergio Corbucci, Giuseppe Tornatore, o célebre "Cinema Paradiso", Mauro Bolognini "Metello", Giuliano Montaldo "Sacco e Vanzetti", "Os Intocáveis" e "Na alvorada do 5° dia", Pier Paolo Pasolini "Teorema" e "Uccelacci e Uccelini",  Vittorio De Sica "As bruxas", Bernardo Bertolucci "1900", Mario Bava "Danger: Diabolik"e Dario Argento "O síndroma de Stendhal" ou "Goblin", entre outros.

A primeira incursão além fronteiras de Ennio Morricone foi com o realizador Toshiro Mayuzumi no filme "A bíblia de John Huston" (1964) obra não creditada ao compositor, seguiram-se colaborações fora de Itália, caso de "O clã dos sicilianos" (1969) do francês Henri Verneuil, seguidos por Terrence Malick, Samuel Fuller, Brian De Palma, Pedro Almodovar, Roman Polanski ou Quentin Tarantino.

Morricone estava internado numa clínica da capital italiana, onde foi hospitalizado após uma queda que levou à fractura de um fémur. Ele “morreu na madrugada do dia 6 de julho, no conforto da fé”, segundo um comunicado do advogado e amigo da família Giorgio Assuma, citado pela imprensa italiana.

Ele estava “lúcido e mostrou grande dignidade até o momento final”, diz o anúncio.

“Adeus maestro e obrigado pelas emoções que você nos proporcionou”, declarou pelo Twitter o ministro italiano da Saúde, Roberto Speranza.

Perfil de Ennio Morricone

Antes de ganhar o Oscar e o Globo de Ouro em 2016, Ennio Morricone, nascido em Roma a 10 de novembro de 1928,  filho de um trompetista de jazz, tinha sido indicado cinco vezes pela Academia norte-americana.

Aos 12 anos Ennio Morricone entre na Academia de música Santa Cecília em Roma, sob os auspícios do compositor italiano Goffredo Petrassi e saíu do Conservatório com três diplomas: trompete, composição e direcção de orquestra.

Seguindo os passos do seu pai, começou a tocar em grupos de jazz e compôs temas para a rádio, e paralelamente, nos anos 60 faz arranjos para canções de artistas pop e jazz como Helen Merril, Jimmy Fontana, Mireille Mathieu, Françoise Hardy ou Demis Roussos, entre outros.

A sua primeira música para o cinema data de 1961 em "Missão ultra-secreta" do cineasta italiano Luciano Sale e três anos depois assinou a música da longa-metragem "Por um punhado de dólares" do realizador e seu amigo de infância Sergio Leone.

Ennio Morricone também compôs originais, para a artista portuguesa Dulce Pontes,que participou nos concertos comemorativos dos 60 anos de carreira do maestro e compositor italiano, em 2017.

Nos últimos anos de vida, Ennio Morricone deixou de compôr para o cinema e dava concertos, sempre muito concorridos, da sua prolífica obra.

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