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México/Narcotráfico

México: identificados restos mortais de 1 dos 43 estudantes desaparecidos em 2014

Manifestação na cidade do México de familiares dos 43 estudantes desaparecidos a 26 de novembro de 2014 no Estado de Guerrero.
Manifestação na cidade do México de familiares dos 43 estudantes desaparecidos a 26 de novembro de 2014 no Estado de Guerrero. REUTERS - HENRY ROMERO
3 min

O Ministério Público do México anunciou esta terça-feira ter identificado os restos mortais de um dos 43 estudantes desaparecidos em Iguala, no sudoeste do país, na noite de 26 de setembro de 2014, uma descoberta que invalida a versão oficial apresentada pelo anterior governo presidido por Enrique Peña Neto.

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Quando foi eleito em julho de 2018, o Presidente Andrés Manuel López Obrador prometeu relançar o inquérito sobre o desaparecimento dos 43 estudantes, pelo teve o efeito de uma bomba o anúncio feito na terça-feira (7/08).

Foi anunciada esta terça-feira (07/07) a identificação do primeiro dos 43 estudantes da escola rural de Ayotzinapa, no Estado de Guerrero, sudoeste do México, desaparecidos a 26 de setembro de 2014 quando se deslocavam em vários autocarros, para participar numa manifestação contra o Presidente Enrique Peña Neto e contra o governador de Iguala, José Luis Albarca.

Eles teriam sido mortos após ataques contra os autocarros, perpetrados por um alegado grupo de polícias e de narcotraficantes do cartel Guerreros Unidos, a mando do próprio governador de Iguala, com fortes ligações aos narcotraficantes locais, revelaram investigações efectuadas na altura.

Nestes ataques morreram três alunos e três civis da cidade de Iguala e dois meses depois foram descobertos no rio Cocula, no Estado de Guerrero, os restos mortais carbonizados do jovem camponês Alexander Mora.

Na altura esta identificação confirmou a versão oficial do governo presidido por Enrique Peña Neto segundo a qual os estudantes sequestrados num conflito com a polícia, foram assassinados, incinerados numa lixeira e deitados ao rio Colula, por um grupo de narcotraficantes, uma "verdade histórica" contestada pelas famílias dos estudantes.

"Entre 21 e 29 de novembro de 2019, foram descobertos novos restos humanos de seis pessoas numa ravina em Cocula, no Estado de Guerrero, num local diferente da lixeira e situado a cerca de 800 metros do local indicado pela versão oficial e enviados por mala diplomática para o Instituto de Genética da Universidade de Innsbruck, em Viena".

"...os resultados das análises dos fragmentos ósseos anunciados a 19 de junho pela Universidade de Innsbruck, permitiram identificar o estudante de 19 anos Cristian Alfonso Rodriguez Telumbre e confirmam que foi encontrado o rasto dos 43 estudantes, desaparecidos em Iguala na noite de 26 de setembro de 2014", afirmou em conferência de imprensa esta terça-feira (7/07) o Procurador Geral da República Omar Gomez Trejo.

Na semana passada a justiça mexicana anunciou estar à procura de 46 funcionários públicos, presumíveis implicados neste massacre, entre os quais figura a pessoa que dirigiu o primeiro inquérito, actualmente em fuga no Canadá.

Omar Garcia, antigo líder estudantil que escapou ao massacre, considera que esta descoberta é "um avanço significativo, mas que as investigções devem prosseguir, para se identificar quem ordenou o massacre, quem levou os jovens para Cocula e o que foi feito dos corpos".

Este caso alcançou grande repercussão e dezenas de milhares de pessoas manifestaram em todo o México exigindo justiça e a demissão do Presidente Enrique Peña Nieto.

 

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