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Turquia/Santa Sofia

Presidente turco anuncia reabertura da Basílica Santa Sofia ao culto muçulmano

Basílica de Santa Sofia ou Haghia Sophia, em Istambul, património mundial da humanidade, vai reabrir aos fiéis muçulmanos como mesquita a 15 de Julho.
Basílica de Santa Sofia ou Haghia Sophia, em Istambul, património mundial da humanidade, vai reabrir aos fiéis muçulmanos como mesquita a 15 de Julho. Wikipedia
Texto por: RFI | José Pedro Tavares
5 min

Dito e feito – a promessa que o presidente turco Recep Tayyip Erdogan fez, irá mesmo confirmar-se – a imponente Haghia Sofia, Santa Sofia em português, um dos museus mais visitados da Turquia, irá mesmo converter-se numa mesquita aberta à oração dos fiéis muçulmanos a partir de 15 de Julho.

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O próprio Presidente Recep Tayyp Erdogan foi quem o anunciou esta sexta-feira (10/07) depois do Supremo Tribunal turco ter confirmado a revogação do estatuto de museu, que datava do regime laico de Kemal Ataturk, o fundador da moderna república turca.

Segundo a justiça turca, o registo do edifício, propriedade de uma fundação, autoriza apenas o seu uso como mesquita.

O edifício, classificado património da humanidade pela Unesco, é um monumento à coexistência religiosa. Construída no século VI como a maior catedral do mundo cristão, na então Constantinopla bizantina, foi transformada em mesquita no século XV, quando os otomanos conquistaram Bizâncio, e é desde os anos 30 do século passado um museu.

As tentativas de transformar o imponente edifício numa mesquita levantaram um coro de críticas no Ocidente.

O patriarca ortodoxo Bartolomeu I, ele próprio baseado em Istambul, sugeriu “que tal iria despertar a ira de milhões de ortodoxos no mundo inteiro”.

Atenas por seu lado tinha avisado que esta decisão poderia abrir um “grande fosso emocional” entre a Turquia e países cristãos e os governos de França e dos EUA criticaram a decisão.

Uma vez mais, o icónico edifício - o seu nome em grego significa Santa Sabedoria, encontra-se no centro de uma verdadeira batalha ideológica.

Em 1453, quando o jovem sultão Mehmet II o Conquistador conseguiu atravessar as muralhas de Constantinopla, foi directo à então maior catedral do mundo cristão.

Reza a lenda que mal entrou na catedral ajoelhou-se debaixo dos mosaicos com a figura da Virgem Maria, e deu graças a Allah. O Sultão logo converteu o edifício numa mesquita imperial, símbolo do novo império otomano.

Quinhentos anos mais tarde, e após o colapso dos Otomanos, o novo regime secular de Ataturk retirou-lhe o simbolismo religioso.

Agora Erdogan confirma mais uma vez a todo o mundo que a “sua” Turquia não tem qualquer problema em virar costas ao Ocidente, para seguir o seu próprio caminho, numa espécie de neo-Otomanismo, em busca de um destino glorioso.

Deixaremos para trás uma Turquia digna do nosso antepassado O Conquistador”, afirmou o Presidente.

A agora mesquita poderá abrir aos fiéis já no próximo dia 15 de julho, quando se celebrara o quarto aniversário do falhado golpe de Estado contra o todo-poderoso Erdogan.

 

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