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Imunidade/Salvini

Itália: Senado suspende imunidade a Salvini

Líder do partido de extrema-direita, Matteo Salvini.
Líder do partido de extrema-direita, Matteo Salvini. AFP
Texto por: Lígia ANJOS
3 min

A maioria do senado italiano aprovou o levantamento da imunidade com o voto dos partidos no governo: Movimento Cinco Estrelas, Partido Democrata, Livres e iguais e Itália Viva.

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O Senado italiano suspendeu a imunidade de Matteo Salvini, líder do partido Liga, de extrema-direita, para que seja julgado pelo alegado sequestro de migrantes, quando era ministro do Interior.

A suspensão foi aprovada com 149 votos a favor, e 141 contra. "Tenho orgulho de ter defendido a Itália e faria de novo", declarou Matteo Salvini.

O líder da Liga é acusado pelo tribunal de Palermo, na Sicília, de sequestrar pessoas e por ter recusado em Agosto de 2019, quando era ministro do Interior, autorizar o desembarque de mais de 80 migrantes do navio humanitário "Open Arms", bloqueado na costa siciliana.

A decisão do Senado italiano acontece numa altura em que centenas de pessoas desembarcam todos os dias nas costas italianas de Lampedusa e Sicília ou são resgatadas no mar por navios humanitários e guardas costeiras.

Matteo Salvini pode ser condenado até 15 anos de prisão se o procedimento for concluído. "Se alguém pensa em me assustar com esse processo político, está enganado", afirmou.

Em Agosto de 2019, Salvini bloqueou durante 20 dias o "Open Arms" com mais de 150 migrantes resgatados do mar Mediterrâneo, um marco na política de portos fechados. O plenário do Senado levantou ainda outro assunto, pelo qual Salvini vai ser julgado a 3 de Outubro. Neste processo, o líder da Liga é acusado de ter bloqueado 116 migrantes, em Julho de 2019, ao longo de vários dias a bordo do "Gregoretti", navio da Guarda Costeira.

Nos dois casos, a Liga, tentou defendê-lo, alegando que o bloqueio dos navios tinha sido uma decisão colectiva do governo e, portanto, também de responsabilidade do primeiro-ministro, Giuseppe Conte.

Liga cai nas urnas

A autorização do Senado para suspender a imunidade "terá consequências para Salvini", cuja popularidade caiu no início da pandemia, que se tornou a principal preocupação dos italianos, à frente da imigração, que costumava ser uma questão central, apontou o cientista político Franco Pavoncelloà agência de notícias francesa AFP.

Esta semana um estudo do instituto Demopolis dá à Liga 25,4% das intenções de voto, uma queda de 11 pontos num ano, enquanto o partido pós-fascista italiano Fratelli regista um aumento.

No entanto, a Liga continua a ser a principal formação política italiana. "A decisão de privá-lo da imunidade poderia gerar alguma atenção por parte da comunicação social", disse Pavoncello à AFP. No entanto, "um processo pode ser perigoso para ele a longo prazo, pois as acusações são graves", acrescentou.

 

   

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