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#Explosão/Beirute

Mega-explosão em Beirute faz "número elevado de vítimas"

Houve duas explosões seguidas na capital libanesa esta terça-feira.
Houve duas explosões seguidas na capital libanesa esta terça-feira. AFP
Texto por: RFI
6 min

Uma mega-explosão no porto da capital libanesa fez, pelo menos uma centena de mortos e mais de 4 mil feridos, as autoridades libanesas não tendo por enquanto conseguido determinar a origem do sucedido.

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Uma enorme explosão abalou Beirute, a capital libanesa, esta terça-feira à tarde, provocando numerosas vítimas e importantes danos materiais. De acordo com o Ministro libanês da Saúde,Hamad Hassan, estimativas preliminares apontam que há pelo menos uma centena de mortos confirmados e mais de 4 mil  feridos. "Trata-se de uma catástrofe em todos os sentidos', declarou este responsável governamental ao referir que "os hospitais da capital estão cheios de feridos" e que é necessário "transportar as restantes vítimas para outras unidades de saúde nos arredores" de Beirute.

A explosão ocorreu na zona do porto, numa área de armazéns onde estavam materiais explosivos. O impacto desta explosão que destruiu toda a área circundante, foi sentido a 200 km de distância, segundo afirmam testemunhas locais.

Para já, as autoridades libanesas não conseguiram determinar o que provocou a deflagração. O canal televisivo Al-Jazeera diz que a explosão aconteceu num local onde havia uma fábrica de fogos-de-artifício, responsáveis de segurança locais declarando, por seu turno, que a explosão poderia ter sido causada por "materiais explosivos confiscados" que se encontravam armazenados há vários anos no local.

O sector do porto foi encerrado pelas forças de segurança, passando apenas os serviços de defesa e as ambulâncias. Foi lançado um apelo para que as pessoas permaneçam em casa, com as janelas herméticamente fechadas, perante o risco de emanações de gases tóxicos.

Houve duas deflagrações, a segunda tendo provocado uma nuvem em forma de cogumelo laranja que pulverizou os arredores dos armazéns. Automóveis foram projectados e virados ao contrário, algumas varandas de habitações circundantes foram destruídas, janelas ficaram em estilhaços e de acordo com a agência noticiosa France Presse, horas depois da explosão, os bombeiros continuavam a lutar contra as chamas naquele sector.

Em entrevista à RFI, Roberto Khatlab, professor universitário em Beirute, deu conta da situação vivida na capital libanesa. Ao referir que "Beirute inteira ouviu a explosão e sentiu a explosão", Roberto Khatlab conta ter sido surpreendido pela deflagração quando estava a regressar a casa, após ter estado precisamente na zona ribeirinha da capital.

Roberto Khatlab, professor universitário em Beirute

Perante esta situação, o Presidente libanês Michel Aoun convocou uma "reunião urgente" do Conselho Superior da Defesa, o Chefe do governo, Hassan Diab, tendo por sua vez decretado um dia de luto nacional amanhã, Quarta-feira, "pelas vítimas da explosão no porto de Beirute". Ao garantir que os responsáveis desta catástrofe "terão que prestar contas", o primeiro-ministro libanês apelou ainda à solidariedade dos "países amigos".

Reagindo a esta ocorrência, Washington disse estar a "seguir atentamente a situação" e deu conta da sua disponibilidade para "prestar toda a assistência necessária aos libaneses". No mesmo sentido, ao apelar o Líbano a "permanecer forte", o chefe da diplomacia do Irão, Mohammad Javad Zarif, disse que o seu país "está disposto a fornecer assistência por todos os meios necessários". Por seu turno, no Twitter, o Chefe de Estado Francês, Emmanuel Macron, expressou "a sua solidariedade fraterna para com os libaneses" e anunciou que socorros e apoios logísticos franceses estão a ser encaminhados para o país.

De referir que o Líbano tem estado mergulhado há vários meses numa crise política, social e económica agravada pela pandemia de covid-19. Os libaneses têm estado a ser confrontados com despedimentos massivos, a depreciação da sua moeda, uma inflação descontrolada, restricções bancárias inéditas e a penúria de bens de primeira necessidade, num contexto em que a classe política que controla o país, acusada de corrupção, tem sido violentamente contestada na rua.

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