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#Turquia/Grécia

Tensão crescente entre a Grécia e a Turquia

Imagem cedida pelo Ministério da Defesa da Grécia a 26 de Agosto de 2020 mostra barcos em exercício naval a 25 de Agosto de 2020 no leste do Mediterrâneo.
Imagem cedida pelo Ministério da Defesa da Grécia a 26 de Agosto de 2020 mostra barcos em exercício naval a 25 de Agosto de 2020 no leste do Mediterrâneo. GREEK DEFENCE MINISTRY/AFP
Texto por: José Pedro Tavares
7 min

A tensão no Leste do Mediterrâneo continua. Atenas e Ancara organizaram exercícios navais na mesma altura e na mesma área. Chefes da diplomacia alemã e turca alertam que confronto pode deflagrar a qualquer momento.

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Depois do presidente turco Recep Tayyip Erdogan ter acusado a vizinha Grécia de “semear o caos” na região, Atenas convocou um exercício naval, que inclui navios cipriotas, franceses, italianos e até aviões dos Emirados Árabes Unidos. A Turquia respondeu na mesma moeda, anunciando exercícios navais para a mesma altura.

A disputa gira à volta de direitos de exploração dos recursos naturais das plataformas continentais do Leste do Mediterrâneo – a jurisdição dos mares à volta da Grécia, de Chipre e da Turquia ainda não está estabelecida, e as reivindicações destes três países sobrepõem-se numa vasta área.

Ancara nunca ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre a Lei do Mar (UNCLOS) e, por isso, não aceita os seus critérios, tendo vindo a adoptar uma política agressiva de provocação e de “fait accompli” (facto consumado), enviando navios de prospecção sísmica para águas que considera suas, mas que outros países vizinhos também clamam.

Nos últimos meses, os navios de Ancara, frequentemente protegidos por fragatas e helicópteros, prospectaram ao largo de Chipre e da Grécia. Nestes dias, estão ao largo da ilha de Kastelorizo - a mais remota das ilhas gregas junto à costa turca, mas que segundo Atenas justificaria uma zona económica exclusiva de 40.000 quilómetros quadrados, algo que a Turquia rejeita. Nos últimos dias, Ancara anunciou unilateralmente que a missão de exploração continuará pelo menos até ao fim do mês.

Aviões e helicópteros gregos e turcos têm-se envolvido em combates aéreos na região e, há dias, dois barcos de guerra colidiram, numa situação explosiva que pode deflagrar a qualquer momento.

Grécia, Chipre, mas também a França - que tem sido bastante crítica com Ancara - querem que a UE adopte uma posição mais firme contra a Turquia, pedindo sanções económicas se Erdogan não voltar atrás. Bruxelas quer que Atenas e Ancara resolvam as diferenças através do diálogo, como a Grécia fez com a Itália ou com o Egipto recentemente. O assunto será novamente discutido em Bruxelas no fim desta semana numa cimeira dos ministros dos  Negócios Estrangeiros dos 27.

Esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, esteve em Atenas e Ancara para mediar, alertando que os dois países estão “à beira do abismo”: “Qualquer faísca, não importa quão pequena, pode significar um desastre”.  O seu homólogo turco, Mevlut Çavusoglu, anunciou que a Turquia “estava pronta a negociar sem precondições”, mas deixou um aviso aos vizinhos: “Se a Grécia der os passos errados, não hesitaremos em responder”.

Enquanto isso, aviões, barcos e helicópteros dos vizinhos rivais, aliados na NATO, continuam a cruzar as águas e os céus do Mediterrâneo, num perigoso "jogo do gato e do rato".

Oiça aqui a reportagem de José Pedro Tavares, correspondente da RFI em Ancara.

Correspondência da Turquia, 26/8/2020

 

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