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Japão

Demissão do Primeiro-ministro japonês por motivos de saúde

Primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, em conferência de imprensa na sua residência oficial em Tóquio, neste dia 28 de Agosto de 2020.
Primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, em conferência de imprensa na sua residência oficial em Tóquio, neste dia 28 de Agosto de 2020. REUTERS - POOL
Texto por: Liliana Henriques
5 min

O Primeiro-ministro japonês Shinzo Abe anunciou a sua demissão por motivos de saúde, um ano antes do termo do seu terceiro e último mandato. O agravamento da colite ulcerosa com que se debate há vários anos, já tinha sido um dos motivos da sua demissão em 2007, apenas um ano depois de ter encetado o seu primeiro mandato. De regresso ao poder em 2012, com dois mandatos consecutivos, Shinzo Abe foi o Primeiro-ministro com maior longevidade na história do Japão.

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“Decidi demitir-me do posto de Primeiro-ministro porque já não tenho certeza de poder honrar o mandato que me foi concedido" declarou hoje Shinzo Abe, 65 anos, invocando motivos de saúde ao anunciar a sua demissão um ano antes do termo dos seus compromissos. O chefe do governo referiu contudo que vai garantir a transição até à nomeação de um novo Primeiro-ministro.

O seu sucessor será provavelmente o vencedor de uma nova eleição para a presidência do PLD, Partido Liberal-Democrata, movimento actualmente presidido por Shinzo Abe. Entre os potenciais candidatos, destacam-se 5 nomes: Taro Aso, 79 anos, ministro das finanças e vice primeiro-ministro; Yoshihide Suga, 71 anos e próximo conselheiro de Abe; Shigeru Ishiba, 63 anos, "falcão" e antigo ministro da defesa; Taro Kono, 57 anos, ministro da defesa; assim como Fumiu Kono, 63 anos, antigo ministro dos negócios estrangeiros, considerado como sendo o favorito do Primeiro-ministro demissionário, mas cuja excessiva reserva é considerada um obstáculo.

Questionado sobre as suas preferências, Shinzo Abe não tomou partido e limitou-se a declarar que "todas as pessoas cujos nomes circulam são muito competentes".

Abre-se agora um período de incógnita para o Japão, em plena crise do coronavírus, cuja gestão por Shinzo Abe lhe valeu uma descida de popularidade. O chefe do governo foi acusado de ter tido uma reacção demasiado lenta perante a chegada da epidemia, o país tendo contudo sido relativamente poupado comparativamente a certas outras zonas do mundo, com cerca de 65.600 casos e 1.200 óbitos.

O seu balanço económico é também considerado pouco impressionante. Apesar de um plano lançado em 2012, abrangendo uma flexibilidade monetária, uma retoma orçamental e reformas estruturais, juntamente agora com um plano de apoios para uma saída de crise pós-covid, nada disto vai impedir o Japão de conhecer a recessão este ano.

No plano das relações externas, Shinzo Abe tentou evitar crispações com o Presidente Trump, tendo inclusivamente tentado uma mediação com o Irão, em vão. Durante os seus mandatos, o Japão, reaproximou-se da Rússia, mas não obteve a restituição por Moscovo das ilhas Curiles, anexadas durante o regime soviético, Shinzo Abe não tendo também registado melhorias significativas nas suas relações com a China e a Coreia do Sul, países invadidos pelo Japão na primeira metade do século XX. Um historial de exacções pelo qual o nacionalista Shinzo Abe não chegou a dar sinais de arrependimento em nome do seu país.

Apesar disso, o seu legado não deixou de ser saudado a nível internacional. O Kremlin mencionou o seu "contributo inestimável" para as relações russo-japonesas, a Presidente da Comissão Europeia agradeceu o seu "empenho e contributo" para os elos entre o Japão e a Europa, a chanceler alemã saudou o seu combate a favor do "multilateralismo" enquanto Pequim se limitou a comentar que esta demissão é "um assunto de política interna" do Japão.

 

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