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Líbano: “O que precisamos é de um Estado de Direito”

Áudio 07:27
Emmanuel Macron, Presidente francês em Jaj, perto de Beirute, no Líbano. 1 de Setembro de 2020.
Emmanuel Macron, Presidente francês em Jaj, perto de Beirute, no Líbano. 1 de Setembro de 2020. REUTERS - GONZALO FUENTES

Pela segunda vez em menos de um mês, Emmanuel Macron está em Beirute e prometeu uma conferência internacional de ajuda para o Líbano. Toda a ajuda é necessária mas o que é fundamental é um “Estado de Direito”, considera a bissau-guineense, portuguesa e libanesa Rita Dieb que vive em Beirute.

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Pela segunda vez em menos de um mês, o Presidente de França, Emmanuel Macron, está em Beirute, a cidade que foi devastada a 4 de Agosto por explosões que deixaram, pelo menos, 188 mortos, 6500 feridos e mais de 300 mil desalojados.

Emmanuel Macron escolheu uma data simbólica: esta terça-feira é o centenário do Líbano, cujas fronteiras actuais foram proclamadas a 1 de Setembro de 1920 pelo general francês Henri Gouraud. Emmanuel Macron aproveitou o dia para anunciar a realização em Outubro, em Paris, de uma conferência internacional de angariação de fundos para o Líbano. Toda a ajuda é necessária mas o que é fundamental é um “Estado de Direito”,considera a bissau-guineense, portuguesa e libanesa Rita Dieb, que vive em Beirute.

"Eu penso que toda a logística é necessária para que possamos fazer face às necessidades que estamos a atravessar a nível material hoje em dia. Mas é óbvio que o mais importante é termos um Estado de Direito porque infelizmente - e aqui tenho de recordar as palavras do nosso ex-primeiro-ministro Hassan Diab que disse que temos um sistema mais forte do que o Estado - e nisso eu concordo. O nosso sistema é muito mais forte que o Estado. O que nós precisamos mesmo é de um Estado, um Estado de Direito, e precisamos de governantes que se preocupem com o seu país, com o seu povo, que cumpram as suas obrigações e que preservem a dignidade do país e do povo", comenta Rita Dieb. 

Como se sentem os libaneses um mês depois das explosões que destruiram Beirute? "Como estavam antes" mas "com a agravante que o tempo passa" e se continua "sem respostas". 

"O que é que estava a fazer este material todo no porto, quem são os responsáveis, o que é que aconteceu no dia 4 de Agosto que despoletou estas duas explosões? Estamos todos à espera de respostas e essas respostas ainda não foram obtidas. Com o passar do tempo, se calhar os ânimos estão um bocadinho mais calmos, mas os sentimentos continuam a ser exactamente os mesmos que são os de revolta, luto, perda, dor", descreve.

Entrevista a Rita Dieb

A segunda visita de Emmanuel Macron ao país aconteceu horas depois de Moustapha Adib ter sido nomeado novo primeiro-ministro. Coincidência ou não? "Eu vou abster-me de comentar. Não sei. Pode ter sido coincidência, pode ter sido algo que já estava agendado... Seja lá qual tenha sido o motivo, pelo menos é um passo em frente. Já não estamos naquela inércia em que estávamos há um mês", continua a luso-guineense.

Moustapha Adib foi nomeado pelas forças políticas tradicionais, algo que o descredibiliza junto de grande parte da população que aponta a classe política como a responsável pelo estado do país, nomeadamente pelas explosões de 4 de Agosto. Rita Dieb sublinha que, de facto, "o que se pretendia era que fosse um primeiro-ministro que tivesse o voto de confiança também do povo ou, pelo menos, da maior parte do povo". "Mas vamos aguardar e ver e fica a esperança de que seja diferente."

Sobre a visita do Presidente francês ao Líbano, Rita Dieb remata: "O senhor Presidente [francês] tinha-nos dito que voltaria mais ou menos por esta altura e cumpriu a sua promessa. Cá está ele e, segundo o que disse, vinha supervisionar o destino dos donativos que tinham sido feitos ao povo libanês, se tinham chegado, se estavam a chegar a quem de direito e que vinha também como apoio. Portanto, olhe, já que não temos tido o apoio por parte dos nossos governantes, agradecemos imenso ao senhor Presidente que assim tenha agido e que continue a cumprir as suas promessas. Pode ser que isso contagie os nossos governantes também."

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