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ONU precisa de ser mais reactiva face aos desafios globais

Áudio 08:55
A assembleia geral da 75ª sessão da Assembleia Geral da ONU tem inicio esta terça-feira com discurso online dos líderes mundiais
A assembleia geral da 75ª sessão da Assembleia Geral da ONU tem inicio esta terça-feira com discurso online dos líderes mundiais AP - Mary Altaffer

As Nações Unidas celebram 75 anos, numa semana marcada pela 75ª Sessão da Assembleia Geral. Apesar do simbolismo do aniversário, o encontro é digital por causa da pandemia.

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Pela primeira vez, os líderes mundiais não se vão juntar em Nova Iorque. Os discursos foram gravados e vão ser transmitidos via online.

Alguns analistas alegam que o formato vai minimizar a importância do ponto alto da política mundial. Adelino Maltez, professor de ciência politica do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, afirma que não importa o formato, mas sim o fundo da questão.

"A questão fundamental é que o mundo entrou na globalização na década de noventa do século passado. Passado mais de um quarto de século está a perder um pouco da esperança com o vazio da Europa, com este ciclo de ameaça e isolacionismo norte-americano, [...]  à Europa voltam os velhos fantasmas, como os conflitos entre as grandes potências", descreve o académico.

Quanto à esperança nos líderes políticos, o politólogo acredita que os líderes se fazem perante as dificuldades impostas. "Em todas as épocas quando a humanidade está em crise arranjamos a desculpa de não termos líderes à altura. Os líderes fazem-se perante as circunstâncias e no caso europeu, os líderes são uma cooperativa de lideranças. Temos de nos habituar a ter homens que não são de génio, mas que juntos podem fazer um gigante", afirma.

Nos últimos meses questões como a pobreza, doença ou o sofrimento agravaram-se. Em resposta à crise mundial que se vive, as Nações Unidas querem lançar o "maior diálogo global de sempre" sobre a cooperação mundial e o seu papel na construção do futuro. Iniciativa para a qual o Secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou à participação do "público global".

Apesar da Organização Mundial de Saúde ter aplanado muitas divergências, "estamos por baixo do túnel de passagem e ele vai ser mais logo do que prevíamos. As frases que salvaram a humanidade são aquelas que nos dizem que temos de ser persistentes porque o mal vai durar e temos de fazer uma grande cadeia de união", acredita o professor universitário.

"As organizações internacionais como as Nações Unidas ou as instituições da União Europeia têm de ser pedras firmes que vejam que há problemas gravíssimos, que estão piores dia após dia: os refugiados, os migrantes, os pobres, os doentes... Não vamos resolver o problema dos refugiados. O que tem faltado são instrumentos rápidos de actuação como se nos pudéssemos esquecer que a guerra é muito mais cara", lembrou José Adelino Maltez.

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