Alemanha/Rússia

Alexei Navalny saiu do hospital e Kremlin não se opõe a um regresso

Alexei Navalny, opositor russo.
Alexei Navalny, opositor russo. © AFP/File

O opositor russo, Alexei Navalny, teve alta hospitalar e acabou por sair do Hospital Charité de Berlim, ele que estava internado desde 22 de Agosto, após ter sido envenenado. Os médicos germânicos acreditam numa total recuperação.

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Alexei Navalny, de 44 anos, esteve internado 32 dias, entre eles 24 nos cuidados intensivos. O opositor russo foi envenenado segundo laboratórios alemães, franceses e suecos, que encontraram vestígios de uma substância química neurotóxica do tipo Novichok. Aliás essa substância estaria presente numa «garrafa de água» recolhida no quarto de hotel em que Alexei Navalny esteve hospedado na Sibéria.

Recorde-se que o mesmo ativo neurotóxico foi utilizado na tentativa de envenenamento de Sergei Skripal, antigo agente duplo russo, há dois anos no Reino Unido.

A possibilidade de regresso à Rússia para Alexei Navalny é forte, visto que a porta-voz do opositor, a 15 de Setembro em entrevista à AFP, admitiu que não havia outro cenário a não ser um regresso ao seu país de origem. Mas esse cenário apenas será possível após uma estadia que se vai prolongar na Alemanha para terminar o tratamento afirmou ainda Kira Iarmych nas redes sociais.

Kremlin já reagiu, afirmando que não vê nenhum problema a um regresso de qualquer cidadão russo ao país de origem. Para o porta-voz das autoridades russas, Dmitri Peskov, o principal opositor do Presidente, Vladimir Putin, está livre de decidir se quer regressar.

Na Rússia, Vladimir Putin justificou a falta de investigação oficial sobre o caso de envenenamento afirmando que tanto Berlim como Paris não comunicaram os resultados das análises dos laboratórios. O Presidente terá até sugerido que Alexei Navalny se envenenou ele próprio, segundo informações divulgadas pelo diário francês Le Monde. O opositor respondeu a essas acusações com ironia, declarando que se tivesse morrido na Sibéria, a autópsia teria tido por conclusão: «Viveu o tempo suficiente».

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