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Convidado

Protestos na Bielorrússia estão "a preparar uma revolução"

Áudio 12:31
Protesto em Minsk, na Bielorrússia. 23 de Setembro de 2020.
Protesto em Minsk, na Bielorrússia. 23 de Setembro de 2020. AFP - -
Por: Carina Branco
30 min

A União Europeia recusa reconhecer Alexander Lukashenko como Presidente da Bielorrússia e fala em "resultados falsificados" da eleição de Agosto. Alena Vysotskaya Guedes Vieira, investigadora no Centro de Investigação em Ciência Política da Universidade do Minho, explica que esta decisão dá ainda mais força às manifestações na Bielorrússia e acredita que os protestos estão "a preparar uma revolução".

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Um dia depois da tomada de posse, à porta fechada e com protestos na rua, de Alexander Lukashenko como Presidente da Bielorrússia, a União Europeia declarou, esta quinta-feira, que não reconhece a sua legitimidade nem "resultados falsificados".

Alena Vysotskaya Guedes Vieira, investigadora no Centro de Investigação em Ciência Política da Universidade do Minho, explica que esta decisão legitima ainda mais as manifestações na Bielorrússia e acredita que os protestos de rua estão a preparar uma revolução no país.

"É um protesto que não vai, de um dia para o outro, resolver a situação ou a tensão na Bielorrússia. Não se pode chamar a isto uma revolução porque pode ser um protesto que está ainda a preparar uma revolução. Não é um protesto que possa ser resolvido por parte de uma força externa imediatamente", declarou a investigadora bielorrussa.

 Apesar de a União Europeia não reconhecer o Presidente, ainda não há unanimidade quanto a sanções. O Chipre condiciona o seu acordo à adopção de medidas para forçar a Turquia a cessar a exploração de gás nas águas da sua zona económica e a Suécia mais a Finlândia não querem sancionar Loukachenko para permitir uma mediação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (que vai ser presidida pela Suécia).

Alena Vysotskaya Guedes Vieira compreende que a União Europeia não possa, para já, avançar com sanções, "considerando os seus mecanismos e funcionamento", mas avisa que pode pôr em causa "a credibilidade da União Europeia". Ainda assim, a visita da líder da oposição, Svetlana Tikhanovskaya, a Bruxelas ajudou a despertar os dirigentes europeus.

"A visita de Svetlana Tikhanovskaya a Bruxelas conseguiu avançar nesta frente : tentar deixar oficiais da União Europeia e os ministros dos países membros da União Europeia compreender o que é que está a acontecer, a extensão da violência, o grau da violência que está a ser praticado pelas autoridades bielorrussas, aquilo que é o desespero da população que aspira a mudanças no seu país", explica.

Esta quinta-feira, o Reino Unido indicou que está a preparar, em coordenação com os Estados Unidos e o Canadá, sanções que visam os responsáveis da repressão do movimento de contestação contra o Presidente Lukashenko. Medidas que "vão ter o seu peso porque acabam por alimentar o espírito do protesto, o espírito de legitimidade do protesto popular".

A investigadora sublinha que este movimento de protesto era impensável há poucos anos, que a sociedade civil acordou, que há manifestantes que são presos e voltam aos protestos e que há elementos de "guerrilha cibernética" que têm publicado "dados sobre as pessoas que praticam violência contra manifestantes".

Essencialmente, Alexander Lukashenko tem contra si este movimento popular que está nas ruas desde as eleições de 9 de Agosto para contestar o sexto mandato do homem que preside o país desde 1994.

"Não se pode durante muito tempo governar apoiando-se num regime que recorre à violência com tanta frequência neste grau (…) A indignação que a população sente, a violência que foi aplicada e que foi desnecessária acabam por produzir uma onda de revolta que é muito difícil abafar neste momento. E é realmente popular. Não há nenhuma camada da sociedade bielorrussa que não esteja a participar nestes protestos. Isto acaba por ser algo porque os protestos vão continuar", acrescenta.

Para ouvir a entrevista completa, oiça o programa CONVIDADO desta quinta-feira.

Entrevista a Alena Vysotskaya Guedes Vieira sobre Bielorrússia

 

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