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Azerbaijão/Arménia

Nagorno-Karabakh: A batalha da propaganda

Nagorno-Karabakh
Nagorno-Karabakh Defence Ministry of Azerbaijan/Handout via REUTERS
Texto por: RFI
5 min

Um avião de combate da força aérea arménia foi abatido hoje por um caça turco, o piloto foi morto. A informação foi avançada pelo porta-voz do ministério arménio da Defesa.

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Violentos combates entre tropas da Arménia e do Azerbaijão continuaram pelo terceiro dia consecutivo no enclave de Nagorno-Karabakh – desde Domingo já morreram pelo menos 100 pessoas, a maioria militares dos dois países do Cáucaso.

Esta terça-feira, um avião de combate da força aérea arménia foi abatido hoje por um caça turco, em território arménio, o piloto foi morto. A informação foi avançada pelo porta-voz do ministério arménio da Defesa. 

Conflito dura há 30 anos

Apesar dos apelos internacionais, Bacu e Yerevan continuam empenhados na guerra – este é o reacendimento mais violento desde 2016 de um conflito que já dura há 30 anos, e que começou com a independência da Arménia e do Azerbaijão da União Soviética.

Nessa altura, elementos separatistas arménios tomaram controlo sobre o enclave de Nagorno-Karabakh, formalmente território azeri, mas habitado por uma larga maioria arménia. Na guerra que se seguiu, e que provocou mais de 30,000 mortos até um frágil cessar-fogo negociado em 1994, os arménios conseguiram ocupar uma parte do território do Azerbaijão que liga a Arménia ao enclave.

Rússia e Turquia: quem apoia quem ?

Todos se voltam para a Rússia – que tem tropas na Arménia e é o principal aliado de Yerevan, e para a Turquia, pais irmão do Azerbaijão, com quem partilha a religião e a língua. Moscovo já pediu um cessar-fogo, mas Ancara apoiou incondicionalmente os azeris no conflito

O ministério dos negócios estrangeiros da Arménia já acusou a Turquia de estar a participar hirtamente no conflito, com aviões e peritos militares no terreno. Certo é que as forças Azeris têm utilizado os já famosos drones militares turcos, que tanto têm ajudado Ancara nas suas recentes aventuras na Síria e na Líbia.

A verdade é que o apoio de Ancara parece ter encorajado Bacu. Em Julho, quando confrontos na fronteira entre a Arménia e o Azerbaijão (longe do enclave) provocaram 16 mortos, o povo saiu às ruas em Bacu a pedir vingança. Nessa altura Ancara ofereceu apoio militar a Bacu, e o Azerbaijão parece agora decidido a tentar retomar algum dos territórios perdidos, e que são um espinho encravado na memória coletiva do país.

Batalha de Propaganda

Na batalha de propaganda, circulam rumores de que a Turquia estará a transferir militantes sírios para combater no Cáucaso, enquanto a Turquia acusa a Arménia de estar a utilizar guerrilheiros curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que lutam contra o governo de Ancara.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan renovou hoje o seu apoio ao Azerbaijão, exigindo que a “Arménia se retire de todos os territórios azeris ocupados”. Erdogan disse ainda que os confrontos são uma oportunidade para o Azerbaijão recuperar o enclave, justificando que Bacu teve de encontrar a solução pelos seus meios depois de décadas de impasse, incluindo nas negociações do chamado grupo de Minsk, liderado pela Rússia, pelos EUA e pela França, no âmbito da Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

O apoio ao Azerbaijão reúne aliás um consenso alargado na Turquia – hoje todos os partidos, exceptuando o partido curdo, assinaram uma declaração de apoio a Baku. Atakule, a principal torre da capital turca, está agora iluminada com as cores do Azerbaijão, e o slogan do momento: “Dois Estados, uma Nação”.

Com a colaboração de José Pedro Tavares, correspondente em Ancara.

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