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Economias

O peso da “incerteza” na economia mundial em tempos de covid-19

Áudio 10:00
Qual o impacto da pandemia na economia mundial?
Qual o impacto da pandemia na economia mundial? AFP - ADEM ALTAN
Por: Carina Branco
24 min

A Organização Mundial do Comércio e o Fundo Monetário Internacional foram, esta semana, mais optimistas quanto ao impacto económico da pandemia de covid-19. A OMC disse que o choque da pandemia sobre o comércio mundial deverá ser menos importante que o previsto, mas a retoma será mais lenta. O FMI também considerou que a recessão global em 2020 será menos severa que o previsto inicialmente. Optimismo cauteloso para afastar a incerteza quando a pandemia ainda não está controlada? As respostas com o economista Nuno Teles.

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Em Abril, a Organização Mundial do Comércio(OMC)  esperava uma queda de 12,9% do volume das trocas comerciais em 2020, mas reviu esse valor para 9,2% nas previsões publicadas esta terça-feira. No entanto, a retoma será mais lenta devido à conjuntura económica incerta e o comércio mundial só deve voltar aos níveis de antes da pandemia em 2022.

Por outro lado, a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou, esta semana, que arecessão global em 2020 gerada pela pandemia do novo coronavírus será menos severa que o previsto inicialmente, mas que o caminho para a recuperação vai ser "longo, desigual e incerto".

Para Nuno Teles, professor de Economia na Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia, no Brasil, é preciso ler com cautela estas previsões que ainda estão envoltas em plena incerteza sobre o controlo da pandemia.

“É uma boa notícia embora estas previsões estejam envolvidas em muita incerteza sobre o impacto da pandemia na crise. Estas revisões, quer da OMC quer do FMI, são pequenas revisões para o lado positivo. Na verdade, a crise como ela está a ser apresentada hoje continua a ser muito profunda e das quebras de produto mais profundas da história desde que há estatísticas sobre elas”, explica o economista.

Nuno Teles sublinha que “a pandemia não está controlada nem ainda acabou”, pelo que “os efeitos de confinamento e de incerteza nas decisões de consumo, produção e investimento são muito elevados”.

“Isso obviamente tem um impacto de retracção da actividade económica. Não é só a retracção causada pelo confinamento, por estes novos ‘lockdowns’ que estamos a assistir mas, sobretudo, toda a incerteza envolvida. Quem é que hoje vai investir num novo projecto neste cenário? Boa parte da cautela que é preciso ter com as previsões vem deste lado da incerteza radical.”

O professor de Economia destaca, também, que “estas previsões – agora um pouco menos negativas – estão muito relacionadas com a acção pronta que os Estados tiveram para contrabalançar os efeitos da crise” porque “os Estados abriram os cordoes à bolsa”. Porém, Nuno Teles tem algumas dúvidas que estes esforços orçamentais dos Estados sejam mantidos, ainda que seja o que o FMI agora recomenda e ainda que depois o FMI se manifeste “muito preocupado com a disciplina orçamental”.

Esta semana, um relatório do Banco Mundial alertou que a pandemia precipitou entre 88 e 115 milhões de pessoas na pobreza extrema, ou seja 1,90 dólares por dia, o preço de um café em varias cidades. Este é o pior revés na redução da pobreza em décadas, depois de quase um quarto de século de declínio constante da pobreza no mundo.

“A pandemia tem afectado sobretudo populações mais vulneráveis. Quem trabalha na economia informal, quem tem vínculos precários foram os primeiros as perder as fontes de rendimento. Isso obviamente dá conta dessa desigualdade dos efeitos da crise. As populações dos países mais pobres caem agora numa situação de miséria, estes países não têm os mesmos esquemas de apoio público que os países mais ricos”, explica o economista.

Oiça a entrevista completa neste programa ECONOMIAS.

Economias com Nuno Teles 09/10/2020

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