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Turquia/França

Turquia vai ripostar face ao "ataque ignóbil" ao Presidente Erdogan pelo Charlie Hebdo

Caricatura do Presidente turco Recep Tayyp Erdogan na capa do semanário satírico francês Charlie Hebdo de 28 de outubro 2020.
Caricatura do Presidente turco Recep Tayyp Erdogan na capa do semanário satírico francês Charlie Hebdo de 28 de outubro 2020. © Charlie Hebdo
Texto por: José Pedro Tavares
5 min

A Turquia promete uma resposta “legal e diplomática” à considera "provocatória" caricatura do Presidente Erdogan, publicada na capa da última edição do semanário satírico Charlie Hebdo, o Presidente turco critica a islamofobia no Ocidente, enquanto a lira turca cai para níveis históricos.

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Um comunicado do Governo turco confirmou que a procuradoria-geral abriu um processo de investigação sobre a publicação, de uma caricatura do Presidente Recep Tayyp na capa do semanário satírico francês Charlie Hebdo à venda nesta quarta-feira, 28 de outubro.

A publicação veio deitar achas na fogueira nas tensões entre Ancara e Paris, que estava ao rubro depois de Erdogan ter repetidamente dito que Emmanuel Macron precisava de “ir ao psiquiatra, após a defesa que este fez do laicismo da República Francesa e da necessidade de proteger a liberdade de expressão, mesmo que isso significasse caricaturar o profeta Maomé.

José Pedro Tavares, correspondente em Ancara

Erdogan, que se vê como um líder muçulmano global, considera tal como blasfémia, e denunciou prontamente a discriminação para com os muçulmanos e a política anti-islâmica do regime francês, mas as suas tiradas desencadearam uma reação unânime na Europa, onde vários líderes condenaram os “insultos inaceitáveis” do presidente turco.

Agora é a vez da Turquia reagir áquilo que considera um ataque inaceitável ao seu Presidente. O assessor de comunicação de Erdogan, Fahrettin Altun, condenou o “acto revoltante, que só espalha racismo cultural e ódio" e o vice-presidente Fuat Oktay disse que “ninguém se poderá esconder por detrás da desculpa da liberdade de expressão”.

A imprensa pró-governamental turca cobre hoje o tema sem mostrar a caricatura. Já Erdogan, num discurso feito há momentos no parlamento, disparou contra a França: “É esta abordagem racista, fascista, arrogante, alienadora, que se está a espalhar pela Europa como células cancerosas”, avisou.

Numa mensagem com um destinatário claro – a França, contra-atacou: “não foram vocês que assassinaram centenas de milhares no Ruanda e milhões na Argélia? Não são vocês que matam por diamantes, fosfato e ouro em vários países de África?” E concluiu: “um muçulmano não pode ser um terrorista, tal como um terrorista não pode ser muçulmano”.

Entretanto, a lira turca caiu hoje para níveis históricos, e só esta semana já perdeu cerca de 3% do seu valor – quase 30% desde o início do ano, apesar do governo turco continuar a manter que tudo está bem, o país vive uma grave crise económica, agravada pela pandemia da Covid-19 e pelos confrontos constantes com o Ocidente.

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